Desaparecimento de menino que originou campanha das fotos em caixas de leite nos EUA completa 47 anos; acusado pode deixar prisão
Quarenta e sete anos após o desaparecimento de Etan Patz, o caso que deu origem à campanha das fotos de crianças desaparecidas em caixas de leite nos Estados Unidos pode ganhar uma nova reviravolta. Se um terceiro julgamento do porto-riquenho Pedro Hernández não começar até 1º de junho, como determinou a Justiça americana, o acusado terá de ser libertado, reacendendo as dúvidas em torno de um dos crimes mais emblemáticos da história recente do país.
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O caso atravessa quase meio século e se tornou um marco na forma como o país lida com desaparecimentos infantis. A data do sumiço de Etan, 25 de maio de 1979, foi transformada pelo Congresso americano no Dia Nacional das Crianças Desaparecidas, enquanto a imagem do garoto se tornou a primeira a ser estampada na famosa campanha das fotos em caixas de leite, criada nos anos 1980 para tentar localizar crianças desaparecidas.
Etan desapareceu na manhã de uma sexta-feira, usando um boné preto com a frase “Future Flight Captain”, uma jaqueta azul de veludo cotelê e tênis com listras fluorescentes. O ônibus escolar chegou no horário, mas o menino nunca apareceu. Somente horas depois, quando ele não voltou para casa, sua mãe percebeu que o filho jamais havia chegado à escola. Naquela noite, uma grande operação mobilizou policiais, cães farejadores e moradores da vizinhança.
— Lembro-me de correr por aí naquela noite com uma foto do Etan, perguntando: “Vocês viram esse garotinho?” Foi um pesadelo. Acho que ninguém jamais terá respostas — recordou anos depois à CNN a artista e chef Susan Meisel, vizinha da família.
O suspeito, a confissão e as dúvidas
Durante décadas, o caso acumulou pistas falsas e suspeitos sem que nenhuma prova conclusiva fosse encontrada. Em 2012, porém, a investigação teve uma reviravolta dramática quando Pedro Hernández confessou ter atraído o menino até o porão de uma mercearia onde trabalhava e o estrangulado. Segundo a polícia, ele afirmou ter jogado o corpo em uma caçamba de lixo.
Apesar da confissão, o processo sempre foi cercado de controvérsias. Não havia provas físicas ligando Hernández ao crime, o corpo de Etan nunca foi encontrado e os advogados do acusado sustentam que ele sofria de doença mental e limitações intelectuais. A defesa também argumenta que a confissão foi obtida após horas de interrogatório sem que seus direitos fossem devidamente apresentados.
O primeiro julgamento terminou sem consenso do júri, em 2015. Dois anos depois, Hernández foi condenado à prisão perpétua. Em 2025, porém, um tribunal federal de apelações concluiu que houve falhas processuais e determinou um novo julgamento ou sua libertação até 1º de junho.
Enquanto o prazo se aproxima, o caso permanece aberto, e sem respostas definitivas sobre o destino do menino que saiu de casa sozinho em uma manhã de maio e jamais voltou. Quase cinco décadas depois, o desaparecimento de Etan Patz continua sendo um dos crimes mais debatidos da história judicial americana e um símbolo permanente da comoção em torno de crianças desaparecidas.
