'Desafio do paracetamol': Europa emite alerta sobre aumento de intoxicações entre jovens

 

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O Ministério da Saúde alertou para o aumento de casos de intoxicação entre jovens associados ao chamado “desafio do paracetamol”, que tem circulado nas redes sociais, sobretudo no TikTok. A prática consiste na ingestão deliberada do maior número possível de comprimidos do medicamento, em uma espécie de competição para testar a resistência física — vence quem “aguentar” mais tempo sem precisar de atendimento hospitalar.

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Em publicação no Facebook, o governo enumerou os riscos à saúde: “lesão grave do fígado, que pode evoluir para insuficiência hepática e, em casos extremos, necessidade de transplante ou morte”. O comunicado reforça: “Não é um jogo. É um risco sério para a saúde.”

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As autoridades também fizeram um apelo direto a pais e responsáveis para que mantenham medicamentos guardados em locais seguros e conversem com crianças e adolescentes sobre os perigos do uso indevido de fármacos.

Em Portugal, uma adolescente deu entrada no Hospital de Santa Maria, em Lisboa, após ingerir dez comprimidos de um grama. A unidade hospitalar alerta para o aumento de intoxicações voluntárias com medicamentos.

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Erica Torres, coordenadora da Urgência Pediátrica da ULS Santa Maria, afirmou que a maioria dos casos envolve diferentes fármacos disponíveis em casa. Segundo ela, “a noção que temos é que, de facto, os jovens sabem qual é a dose letal ou tóxica do paracetamol”, possivelmente por meio de conteúdos divulgados nas redes sociais.

A pediatra classificou as intoxicações medicamentosas voluntárias como “uma grande preocupação” para os profissionais de emergência. De acordo com dados do hospital, nos últimos seis anos foram registrados 232 casos, sendo que mais da metade (131) ocorreu nos dois anos mais recentes.

Risco silencioso

A Ordem dos Médicos também emitiu alerta sobre o risco potencialmente fatal da prática. Em comunicado, o Colégio de Farmacologia Clínica e o Colégio de Pediatria da entidade explicam que, embora o paracetamol seja seguro em doses terapêuticas, a superdosagem pode levar à falência do fígado, necessidade de cuidados intensivos e, em situações extremas, transplante hepático.

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Um dos principais perigos, segundo os especialistas, é a ausência de sintomas imediatos. “Nas primeiras horas, e até no primeiro dia, pode não haver sintomas relevantes. Essa aparente normalidade é enganadora e leva a atrasos perigosos no tratamento”, alerta a Ordem.

A entidade apelou às plataformas digitais, escolas e autoridades para que identifiquem e removam conteúdos que promovam o desafio. Também pediu que os pais reforcem a educação sobre o uso seguro de medicamentos entre os mais jovens.

Em caso de suspeita de ingestão excessiva, a recomendação é procurar ajuda imediata, sem aguardar o surgimento de sintomas, e entrar em contato com o Centro de Informação Antivenenos (CIAV) ou acionar o serviço de emergência.

Casos na Bélgica

O fenômeno tem sido observado em outros países europeus, como Alemanha, Bélgica, Espanha, França e Suíça.

Na Bélgica, a Federal Agency for Medicines and Health Products (FAMHP), órgão federal regulador de medicamentos e produtos de saúde, divulgou nota em 6 de fevereiro de 2026 após vários casos de superdosagem entre adolescentes ligados ao desafio.

Segundo a agência, relatos na imprensa indicam que o “paracetamol challenge” incentiva jovens a ingerir quantidades excessivas do medicamento, por vezes com o objetivo de ficarem “alterados”. A FAMHP enfatizou que o paracetamol não possui efeitos psicotrópicos, mesmo em doses elevadas.

A autoridade belga reforçou as orientações para o uso correto do medicamento e alertou que o consumo excessivo pode provocar danos graves ao fígado, com risco de morte. O paracetamol é indicado para o tratamento sintomático de dor e febre e, quando utilizado conforme a dose recomendada e com intervalo mínimo de quatro horas entre as administrações, é considerado seguro e eficaz.

Em caso de superdosagem, a recomendação da agência é procurar imediatamente um médico, farmacêutico ou centro de controle de intoxicações. A FAMHP informou ainda que está monitorando a situação de perto e em contato com hospitais para reunir informações sobre os casos.

As autoridades de saúde reforçam que desafios virtuais envolvendo medicamentos representam ameaça real e podem ter consequências irreversíveis.