Desafiado pelas eleições para o Congresso, PL aposta em candidatos jovens e pauta identitária

 

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No planejamento para o pleito deste ano, o PL tem apostado em candidaturas jovens e na disputa por espaço na discussão de pautas identitárias, tradicionalmente associadas à esquerda e criticadas pela direita, como estratégia para ampliar seu alcance eleitoral. A legenda passou a investir em nomes com forte presença nas redes sociais, com trajetórias ligadas à periferia e com discursos voltados a temas como negritude e às demandas de trabalhadores por aplicativo, além de buscar aproximação com representantes do eleitorado LGBT+.

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Entre os que se colocam na disputa, está o vereador carioca e presidente do PL Jovem estadual Rafael Satiê (PL-RJ), de 37 anos. Eleito em 2024, ele é cotado para concorrer a deputado em um projeto que, segundo ele, representará “a juventude, a periferia, o capitalismo e a religião”.

Conhecido pelos vídeos críticos à esquerda e em defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro, Satiê foi criado no Complexo do Lins e no Jacarezinho e conta que teve a vida transformada pela fé evangélica, seguindo um caminho diferente de dois dos seus irmãos, um deles executado pelo tráfico e outro preso. Ele também afirma que, nos últimos anos, a “pauta da negritude, do lugar de fala e da escravidão foi sequestrada pela esquerda” e diz buscar uma “abordagem mais libertadora, consciente e historiográfica, com enfoque em homens negros que fizeram a diferença, como Nilo Peçanha e André Rebouças”:

— Venho falando com uma abordagem mais a fim de que o negro favelado se identifique com outro perfil negro, que não fique lamuriando as suas fraquezas ou lambendo as suas feridas e, sim, olhe para as suas dificuldades e para os desafios e, de fato, lute de peito aberto para superar, como eu superei.

A escolha de um nome ligado à juventude do partido deverá se repetir em São Paulo, onde o PL será desafiado pela ausência dos dois nomes mais bem votados para a Câmara em 2022: Carla Zambelli e Eduardo Bolsonaro. O vácuo tende a ser preenchido por nomes como o de Lucas Pavanato (PL-SP), eleito em 2024 como o vereador mais bem votado da capital paulista.

Com atuação online similar à do deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), Pavanato se aproximou da pauta dos trabalhadores por aplicativo. A discussão do tema é também uma aposta do governo Lula. A articulação com a categoria deve passar pelo ministro Guilherme Boulos (PSOL-SP), da Secretaria-Geral da Presidência. Na capital paulista, o grupo enfrentou embates com o prefeito Ricardo Nunes (MDB), que tentou proibir serviços de mototáxi. Na Câmara de Vereadores, a mobilização com a pauta ficou dividida entre a esquerda e Pavanato, que apresentou um projeto de lei para regulamentar a atividade e esteve em paralisações. Ele nega, no entanto, que apoio à causa tenha ligação com estratégia eleitoral.

— A direita brasileira é formada por duas correntes de pensamento: o liberalismo econômico e o conservadorismo. Não há nada mais liberal, no sentido econômico, do que uma pauta que valoriza os direitos dos trabalhadores e, ao mesmo tempo, preserva a liberdade de mercado — diz.

Nova frente

A legenda também tem dialogado com o influenciador Firmino Cortada, de Campo Grande (MS), abertamente gay e defensor de pautas conservadoras. Procurado, ele não se manifestou. O PL estuda ainda a possibilidade de ter como candidata a vereadora lésbica de Londrina (PR) Jessica Ramos Moreno, apelidada de “Jessicão”, que tende a deixar o PP e se filiar ao partido de Bolsonaro. O ex-presidente já chegou a responder judicialmente por declarações homofóbicas.

Em paralelo, a sigla tem buscado atrair personalidades midiáticas, como a influenciadora e ex-funkeira Jojo Todynho, que, desde as eleições de 2024, tem mostrado alinhamento ao bolsonarismo, em função de uma aproximação com Michelle durante a campanha. No ano passado, a artista chegou a receber um convite da direção do PL para se filiar ao partido, mas recusou a oferta.