O candidato a deputado estadual Renato Machado (PT) teve a candidatura contestada pelo Ministério Público Eleitoral, que o aponta como suspeito de ser “líder do núcleo político e mentor intelectual” de uma organização criminosa. Segundo a ação, a estrutura exerceria domínio político, financeiro e bélico em Maricá, na Região Metropolitana do Rio. Jogo do bicho, tráfico, milícia: em quatro dias, Rio já soma oito candidaturas suspeitas de ligação com crime organizado TRE-RJ indefere registro de candidatura de Val Ceasa à Alerj por indícios de vínculo com organização criminosa A manifestação do MP tem como base elementos reunidos num Inquérito Policial, conduzido pela Polícia Civil e pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO/RJ). Segundo o MP, a estrutura investigada teria uma relação estreita com uma chamada “Narcomilícia”, liderada por Rodrigo José Barbosa da Silva, conhecido como “Rodrigo Negão”, apontado na ação como principal aliado e “braço armado” de Renato Machado. De acordo com o MP, o grupo teria características híbridas, reunindo atividades atribuídas tradicionalmente a milícias, como a exploração clandestina de “gatonet” e o comércio ilegal de cigarros, com o tráfico de drogas. As investigações também apontariam uma aliança com criminosos ligados ao Terceiro Comando Puro (TCP). A atuação da organização, ainda segundo a impugnação, alcançaria comunidades de Maricá como Cantinho, Cocadinha, Mambuca, Saco da Lama, Saco das Flores, Recanto de Itaipuaçu, Morro do Amor e Bairro da Amizade. O Ministério Público afirma que o grupo não atuaria apenas na exploração econômica de atividades ilegais. Conforme a ação, a organização manteria um aparato armado ostensivo utilizado para garantir o domínio territorial e impor medo aos moradores. O relatório final do inquérito, citado pelo MP, apontaria que a estrutura armada seria utilizada para manter o grupo no poder, ampliar sua área de atuação e “executar todos que se insurgem” contra as diretrizes da organização criminosa. Outros elementos A manifestação também relaciona a estrutura investigada a duas mortes ocorridas em Maricá. Em um desses casos está o assassinato do jornalista Robson Giorno. Segundo o Ministério Público Eleitoral, Renato Machado foi denunciado pelo MP como mandante do homicídio triplamente qualificado. A impugnação diz ainda que a organização teria usado seu poder econômico e territorial para ganhar influência política. Segundo o MP, durante a gestão de Renato Machado na presidência da SOMAR — Autarquia Municipal de Obras de Maricá — teria funcionado um esquema de corrupção com suposta cobrança de 20% de propina sobre obras públicas. Para o Ministério Público, esse esquema teria contribuído para uma expressiva evolução patrimonial de Machado. A ação também cita a capacidade da chamada “Narcomilícia” de projetar integrantes e aliados para cargos eletivos no Legislativo municipal como um elemento para sustentar que a candidatura de Machado não deveria ser analisada isoladamente. Doadores da campanha Outro ponto destacado pelo Ministério Público é o financiamento da campanha de Renato Machado em 2022. Segundo o pedido de impugnação, dos 34 doadores registrados, 19 eram servidores da Prefeitura de Maricá, sendo 17 vinculados à própria SOMAR. Faça o teste do GLOBO e descubra: Com qual candidato ao governo do Rio você mais se identifica? O MP afirma que muitos desses servidores fizeram doações que representavam parcela expressiva de seus rendimentos mensais. Para o procurador, esse padrão seria um “indicativo claro” de mecanismo de coação, repasse ou “rachadinha” destinado à sustentação do projeto político do grupo. A tese apresentada pelo Ministério Público Eleitoral é de que o caso não deve ser examinado apenas a partir da existência ou não de uma condenação individual, mas considerando o contexto de eventual interferência de estruturas criminosas no processo eleitoral. Na ação, o procurador cita o artigo 17, parágrafo 4º, da Constituição Federal e a jurisprudência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Segundo a manifestação, a regra busca impedir não somente a participação formal de integrantes de organizações criminosas nas eleições, mas também a utilização de estruturas criminosas para interferir na formação da vontade popular e na ocupação de espaços de representação política.
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Deputado do PT tem candidatura contestada pelo MP por suspeita de liderar 'narcomilícia' em Maricá
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O Globo
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