Deputado Chico Machado perde vaga de titular na CCJ da Alerj, após polêmica sobre voto na eleição indireta

 

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O deputado estadual Chico Machado (Solidariedade) foi destituído, nesta terça-feira, do cargo de membro titular da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Alerj, o coração jurídico do parlamento fluminense. A saída, oficializada em edição extraordinária do Diário Oficial, é o desfecho de um acelerado processo de fritura política e ocorre a menos de 24 horas de o colegiado discutir o projeto que definirá regras da eleição indireta para o governo do estado.

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O parlamentar entrou no radar de desgaste após defender publicamente o voto secreto para o pleito que escolherá o sucessor de Cláudio Castro (PL) — que deve deixar o cargo para concorrer ao Senado. A posição de Machado, externada na semana passada, foi interpretada como um sinal de "traição" entre aliados do governo, uma vez que os deputados já teriam entrado num consenso de que o voto sobre a eleição deverá ser aberto.

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Diário Oficial da Alerj

Nos corredores da Alerj, a leitura é que a substituição de Chico por Sarah Poncio (Solidariedade) é uma manobra para pavimentar o caminho do Executivo e isolar o parlamentar. Segundo interlocutores, o deputado estaria agindo para obstruir as articulações do governo, que tenta consolidar maioria na Casa para eleger o atual secretário da Casa Civil, Nicola Miccione.

Na sessão plenária desta terça-feira, Chico Machado buscou uma estratégia de redução de danos para tentar estancar o desgaste. Em discurso na tribuna, o parlamentar fez um mea culpa sobre sua defesa do voto secreto, classificando a manifestação anterior como "equivocada". Segundo ele, o posicionamento ocorreu por falta de conhecimento técnico sobre o rito adotado em outros estados, onde a votação para mandatos-tampão foi aberta.

O deputado estadual Chico Machado (SDD)

Divulgação

Machado também aproveitou o espaço para blindar sua relação pessoal com o presidente afastado da Alerj, Rodrigo Bacellar (União). Ao reforçar os laços com o aliado, o deputado tentou dissociar a amizade pessoal das movimentações políticas que o colocaram sob suspeita no Palácio Guanabara. No entanto, para interlocutores da base governista, o gesto foi visto como tardio, uma vez que o Diário Oficial já havia selado sua saída do colegiado mais importante da Casa.

— Falei aquilo (sobre o voto ser secreto) imaginando que tinha sido copiado na íntegra o que tinha acontecido em Alagoas. Depois, Luiz Paulo (PSD e autor do projeto) me explicou que lá o voto foi aberto. Hoje eu sei que na Bahia também. Não nego as minhas amizades. Eu não vou deixar de ser amigo do deputado Rodrigo Bacellar. Confio em Deus. Se ele (Bacellar) fez alguma coisa de errado, que ele realmente pague. Não vou deixar de ser amigo dele porque errou — disse o parlamentar, da tribuna.

Crise de confiança

O recuo, contudo, não foi suficiente. A crise de confiança se aprofundou após virem à tona relatos de que Chico Machado estaria costurando uma candidatura alternativa para o mandato-tampão, tentando viabilizar o nome do atual secretário de Governo, André Ceciliano, em uma chapa dissidente.

A movimentação irritou profundamente a base aliada e o próprio governador. O mal-estar respingou na cúpula do Solidariedade: o presidente estadual da sigla, deputado federal Áureo Ribeiro, já sinalizou fidelidade total ao Guanabara, tornando a posição de Chico insustentável.