Deputado baleado, rachadinhas e caixinha de empresas de ônibus: quando polícia e política se confundem
Os 100 anos do Palácio Tiradentes não são feitos apenas de glória: também guardam a história de situações nada honrosas. Um dos incidentes mais graves ocorridos no local foi em 1929, três anos após a inauguração. O pernambucano Manoel de Souza Filho foi assassinado pelo colega, o gaúcho Ildefonso Simões Lopes, durante uma discussão nas escadarias. O acusado acabou absolvido por legítima defesa.
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Em 2010, as então deputadas Jane Cozzolino e Renata do Posto perderam o mandato por decisão dos colegas. Elas foram acusadas de integrar um esquema fraudulento de concessões de auxílio-educação para supostos comissionados, que teria desviado R$ 10,8 milhões dos cofres públicos em cerca de dois anos. Segundo a acusação, mulheres pobres, com muitos filhos, foram abordadas por intermediários dos deputados. Em troca da promessa de que seriam cadastradas no Bolsa Família, elas cediam documentos, que eram utilizados para abrir contas bancárias. Essas pessoas eram nomeadas como funcionários fantasmas dos gabinetes. Outros dois parlamentares foram absolvidos no processo.
Ao longo dos últimos anos, vários políticos foram acusados de também se beneficiar de um esquema de rachadinhas, em que funcionários comissionados cediam parte dos salários em troca de empregos. Entre os que foram investigados está o hoje senador e pré-candidato à presidência da República Flávio Bolsonaro (PL). Em 2021, a Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) anulou as provas obtidas em primeira instância, por entender que, quando o MP ofereceu a denúncia, ele já exercia o mandato de senador e, por isso, passara a ter direito a foro privilegiado.
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Mandados de prisão para deputados
Um dos episódios mais rumorosos ocorreu em 2018. Dez deputados tiveram mandados de prisão decretados na Operação Furna da Onça, que investigava um suposto esquema de propina mensal, que variava de R$ 20 mil a R$ 100 mil, e cargos para aqueles que votavam sistematicamente a favor dos interesses do ex-governador Sérgio Cabral e do ex-presidente da Alerj Jorge Picciani — incluindo o boicote à CPI dos Ônibus, que se propunha a investigar irregularidades nas concessões.
Dos dez, três já estavam presos havia quase um ano na operação Cadeia Velha, também por suspeitas de irregularidades: o próprio Picciani, Edson Albertassi e Paulo Mello.
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Palácio Tiradentes completa 100 anos
O nome da operação se refere a uma sala anexa ao antigo plenário da Alerj, conhecida informalmente como Furna da Onça. O nome seria uma referência ao fato de que, nessa sala, os políticos teriam que sair convencidos da maneira como deveriam votar projetos decisivos quando não se conseguia chegar ao consenso nas reuniões promovidas pelos colégios de líderes ou nas negociações em plenário. Ou seja, como se diz no ditado popular, “na hora da onça beber água”.
Assim como em todo o prédio, a mobília existente é dos primeiros anos do século passado. Além do mobiliário de madeira, a fechadura é dourada e as poltronas são de couro.
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Cabe lembrar que, como o Palácio Tiradentes se tornou um local dedicado à memória do Parlamento em 2021, nos episódios mais recentes em que política e polícia se confundem, o prédio histórico deixou de aparecer como protagonista. Esses são os casos das operações que prenderam os ex-deputados TH Joias, suposto de ligações com o Comando Vermelho, e do ex-presidente Rodrigo Bacellar, suspeito de vazar para o colega informações sigilosas sobre as investigações, que já ocorreram na nova sede, no Edifício Lúcio Costa, no Castelo.
Na última quarta-feira, foi preso o deputado Thiago Rangel, acusado de se beneficiar de um esquema de corrupção na Secretaria estadual de Educação, envolvendo recursos de emendas impositivas para reforma de escolas mantidas pelo Governo do Estado.
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