Deputada 'exclui' Carlos Bolsonaro de fotografia e volta a expor divisão no PL em Santa Catarina; entenda

 

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Crítica da candidatura do ex-vereador Carlos Bolsonaro (PL) ao Senado por Santa Catarina, a deputada estadual Ana Campagnolo (PL-SC) voltou a expor seu distanciamento do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro neste final de semana. Ao repercutir um evento no estado que contou com a presença do presidente nacional da sigla, Valdemar Costa Neto, a parlamentar "cortou" Carlos de uma das fotografias, enquanto o ex-vereador publicou uma imagem em que Campagnolo está presente. Em meio ao apelo por união na direita proposto pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, a ação gerou críticas entre bolsonaristas nas redes sociais.

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Ainda no sábado, Campagnolo publicou uma foto ao lado de Valdemar, do deputado federal Daniel Freitas (PL) e do governador Jorginho Mello (PL). Na legenda, a deputada escreveu que possui "orgulho de ser catarinense", frase que estava expressa na camiseta utilizada por Jorginho.

Desde o ano passado, Campagnolo se posicionou contra a ida de Carlos a Santa Catarina somente para se candidatar, e ambos chegaram a se desentender publicamente. O motivo foi que, segundo a deputada, a chapa ao Senado já estava definida com o senador Esperidião Amin (PP) e a deputada federal Carol de Toni (PL), cenário que foi modificado a partir do desejo do ex-vereador em concorrer pelo estado. Após meses de indefinição, o partido escanteou Amin e decidiu por lançar a chapa "puro-sangue".

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Logo depois da imagem publicada por Campagnolo, no entanto, Carlos repercutiu uma publicação conjunta entre o perfil oficial do PL e outros membros do partido. A fotografia é de ângulo similar ao post da deputada, mas o ex-vereador aparece no canto direito, ao lado de Freitas.

"Foi uma honra participar do Almoço de Ideias, neste sábado, em Santa Catarina", escreveu Valdemar, que aproveitou para agradecer aos parlamentares "pelo compromisso e empenho com Santa Catarina".

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Com a repercussão negativa, Valdemar voltou a mencionar o evento em suas redes nesta segunda-feira. O líder partidário optou por publicar uma fotografia em que Campagnolo e Carlos se cumprimentam, e afirmou que o momento reafirma "o respeito" entre ambos.

"Esse encontro entre Carlos Bolsonaro e Ana Campagnolo mostra que, acima de tudo, existe respeito e compromisso com o que realmente importa. Um time se fortalece com diálogo e, quando o objetivo é o mesmo, o mais importante é caminhar na mesma direção", ponderou Valdemar.

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Críticas de bolsonaristas

Bolsonaristas reagiram à publicação de Campagnolo. Nos comentários de seu post, internautas definiram a exclusão como "lamentável" e demonstraram insatisfação com a atitude. "Excluiu o Carlos Bolsonaro da foto? Vocês deveriam deixar o povo decidir na urna e não fazer esta palhaçada", escreveu uma mulher. "Cadê o Carlos Bolsonaro, a família que ergueu a direita nesse País? Acorde antes que seja tarde", questionaram outros.

No PL, o deputado estadual por São Paulo Lucas Bove foi um dos que repercutiram a ação. Ele publicou uma foto que compara as publicações de Campagnolo e Carlos e chamou a escolha da parlamentar de "inacreditável".

"Valores, gratidão e caráter independem da certidão de nascimento", argumentou Bove, mencionando as eleições dos cariocas Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Eduardo Bolsonaro (PL) pelo estado.

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Em resposta, Campagnolo negou que tenha cortado Carlos da fotografia. Ela afirmou que Bove "prestou um papelão" ao "repercutir uma narrativa falsa", além de divulgar que Carlos não estava presente no momento do registro que optou por publicar.

"Inacreditável é eu ter que ver um deputado eleito do PL se prestando a esse papelão de propagador de narrativa falsa e sabotador do partido em outro estado. Toma vergonha nessa cara. Está faltando serviço para você aí em São Paulo?" rebateu a deputada.

Publicação de Ana Campagnolo (PL-SC)

Reprodução/Instagram

Entenda a rixa

No fim de outubro, o ex-vereador carioca chamou Campagnolo de "mentirosa" quando ela explicou a apoiadores que o acordo de Jorginho para ter Amin na chapa ao Senado foi uma negociação do próprio PL com o PP, e que Carlos estaria tirando a vaga de Carol de Toni. O objetivo seria ter o palanque o senador e obter mais tempo de televisão.

Dias depois, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro afirmou, sem citar o governador, ser "martelo batido" que seu pai poderia indicar Carlos para uma das vagas. Um eventual "recuo", segundo o parlamentar, poderia ser visto como uma derrota para o ex-presidente Jair Bolsonaro.

— Ana Campagnolo está praticamente, talvez não intencionalmente, convidando todo mundo a se rebelar. Imagina nos 27 estados ter o problema de Santa Catarina, de o deputado estadual mais votado (Campagnolo) não seguir uma diretriz do líder do movimento, e acontecendo isso tudo — frisou o parlamentar em outro momento.

No início de novembro, a parlamentar chegou a discutir com a deputada federal Julia Zanatta (PL-SC), em uma live nas redes sociais, sobre a disputa interna no partido. Campagnolo reclamou dos ataques e acusações de "traição" que passou a sofrer de bolsonaristas por conta da discordância; Zanatta, por sua vez, defendeu que a deputada estadual deveria se desculpar com Carlos, já que teria angariado a maioria de seus votos apenas pelo apoio da família Bolsonaro.