Deputada Erika Hilton quer que suspeita de homofobia seja considerada na investigação de agressão a médico e advogado em SP
A deputada federal Erika Hilton (PSOL/SP) e a vereadora Amanda Paschoal (PSOL/SP) estão oficiando o governo de São Paulo e a Secretaria de Segurança Pública do estado para investigar se a agressão a um médico e um advogado, que são namorados, na saída do metrô Higienopólis/Mackenzie, na capital paulista, foi um caso de homofobia.
Ambos foram esfaqueados por um grupo de três homens, mas não tiveram os pertences roubados, o que leva à suspeita de homofobia. A agressão aconteceu no sábado passado, dia 7.
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Em sua conta no X, a deputada federal escreveu que é chocante o fato de que eles tenham sido esfaqueados em uma região de grande circulação e apenas porque estavam andando lado a lado.
"Por isso, eu e a vereadora Amanda Paschoal estamos oficiando o Governo de SP e a Secretaria de Segurança do Estado e cobrando que a grave possibilidade de homofobia seja devidamente investigada. E a mera possibilidade de que esse seja um ataque homofóbico já é alarmante: eram três homens, com facas em mãos, em uma região de grande circulação. Isso deixa de ser "só" um possível ataque homofóbico e se torna uma possibilidade de ataque premeditado contra determinado grupo social em razão de sua própria existência", escreveu a deputada em sua conta no X.
Como a agressão aconteceu
O médico de 28 anos e o namorado dele, um advogado de 27 anos, foram esfaqueados quando saíam do metrô. Os agressores fugiram sem levar nada e o casal suspieta de homofobia. O médico teve um corte no pescoço, e o pulmão perfurado e foi internado no Hospital das Clínicas, onde ainda está em recuperação com quadro de saúde estável.
Já o advogado teve um corte na cabeça, precisou tomar alguns pontos, mas foi liberado no mesmo dia. Os nomes de ambos não foram divulgados. A identidade das vítimas foi preservada por temor de novas agressões. O médico enviou um áudio ao G1 contando o que aconteceu:
"A gente pegou o metrô e desceu. É perto da minha casa a estação Higienópolis Mackenzie. A gente saiu da estação na Rua Consolação. Estava escura a rua, parece que a iluminação pública não estava funcionando. A gente começou a andar pela rua", disse.
Ele disse que a rua tinha mais gente e, há cerca de 30 metros da estação, ouviu o namorado gritar que tinha sido atacado.
"Quando eu virei, ele tinha sido puxado para trás por alguém, eu não consegui ver se era mais de uma pessoa. Só sei que o homem que tava do lado dele me esfaqueou na região do pescoço. A gente não teve tempo de reação, nem de entender o que estava acontecendo", disse o médico no áudio, reforçando que não foi anunciado assalto.
Socorridos por policiais
Ambos foram socorridos por policiais militares que passavam pelo local. O caso foi registrado como tentativa de homicídio no plantão do 78º Distrito Policial (DP), nos Jardins. A investigação será feita pelo 4º DP, Consolação.Câmeras de segurança podem ter gravado o crime e ajudaraão a identificar os agressores.
A Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou que o caso é investigado pelo 4º Distrito Policial (Consolação) e foi instaurado inquérito policial.
"A equipe da unidade permanece empenhada em diligências, na coleta de depoimentos das vítimas e testemunhas, analisa imagens e aguarda laudos periciais com o objetivo de identificar e responsabilizar os envolvidos no crime", informou o comunicado da SSP.
