Deputada comprou apartamento de R$ 4 milhões e carro de luxo com dinheiro desviado do INSS, diz Mendonça
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, apontou que há há provas de que a deputada Gorete Pereira (MDB-CE) adquiriu um apartamento de mais de R$ 4 milhões em nome de uma empresa de fachada e um veículo de luxo de mais de R$ 400 mil com dinheiro desviado de aposentados e pensionistas do INSS.
Ainda de acordo com o ministro, os investigadores encontraram planilhas que continham o nome da parlamentar ao lado de “valores expressivos” que lhe seriam pagos como propina. “Há inúmeros indícios no sentido de sua participação nos crimes perpetrados contra o INSS mediante descontos indevidos nos benefícios previdenciários pagos por referida autarquia”, registrou Mendonça em sua decisão.
Segundo Mendonça, a deputada tinha frequente contato com servidores, inclusive com o ex-presidente do INSS, Stefanutto, para credenciar junto à autarquia entidades que a própria parlamentar controlava.
O ministro apontou ainda “indícios robustos” de que a parlamentar recebia, em sua própria conta bancária, “vultosas quantias de recursos ilícitos de empresas de fachada administradas por ela e por seus familiares”. Tais empresas, por sua vez, recebiam os recursos desviados dos beneficiários do INSS.
A Polícia Federal chegou a pedir a prisão da deputada na mais recente fase da operação Sem Desconto, aberta nesta manhã. O Ministério Público Federal concordou com a medida, mas ela acabou negada por André Mendonça.
No caso em questão, apesar da “gravidade” dos fatos imputados à parlamentar, o ministro entendeu que era possível não determinar a prisão, mas impor outras medidas, como o uso de tornozeleira eletrônica, para que a deputada “não oculte bens, não promova dilapidação patrimonial, não obstrua ou atrapalhe as investigações e não continue na prática de gravíssimos ilícitos apurados pela Polícia Federal”.
