Depois do 'BBB 26', Marciele quer virar atriz, mas sem perder o foco no ativismo indígena: 'Virei referência pra outras meninas'

 

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Assim como o movimento vibrante que o Boi Caprichoso faz por onde passa, Marciele Albuquerque, a cunhã-poranga do Touro Negro, vem experimentando uma agitação intensa desde que foi eliminada do “BBB 26”. Presença marcante em eventos pós-reality, inclusive em Partintins, onde frequentemente se apresenta como dançarina, ela agora começa a se dedicar a uma rotina de exercícios.

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Mas, antes disso, a nortista, que ganhou dez quilos durante o confinamento, fez questão de apresentar o mar para seus pais, Neia e Manoel, antes que voltassem para o Amazonas. Os parentes são motivo de orgulho para a canceriana, que no reality não se cansou de falar deles, inclusive do irmão, Epitacio, de 24 anos, de quem cuidou como se fosse um filho.

— Minha família é extremamente unida. Eles são meus maiores apoiadores. Faço o que for preciso para honrá-los. De certa forma, me sinto mãe do meu irmão. Meus pais tinham que trabalhar muito e eu já tinha idade suficiente para cuidar dele. Acabei criando amor por ele que não é só de irmã. Até hoje Epitacio me chama de “irmãe” — conta a influenciadora de 32 anos.

Também irmã de Maiane, de 30 anos, e Mayandra, de 20, Marciele chegou a levar Epitacio para morar com ela em Manaus.

— Queria que ele tivesse a oportunidade de estudar, trabalhar, ser alguém na vida. Todo B.O. da família era eu que resolvia. Confesso que me deu um pouco de desespero no “BBB”. Ficava pensando: “gente, quem vai resolver as situações?”. Mas é deles que vem minha força — afirma.

Marciele Albuquerque

Márcio Farias

Cria de uma comunidade do interior de Juruti, no Pará, Marciele viveu dificuldades em sua infância e adolescência. Filha de uma empregada doméstica e um pescador — a família também trabalha na produção de farinha —, a ex-BBB já vendeu galinha, cheiro-verde, cosméticos... Tudo para ajudar no sustento da casa.

— A produção de farinha é uma atividade que vem sendo passada de geração em geração. Eu nunca quis continuar nesse universo porque é um trabalho muito sofrido, muito braçal. Ele nos rouba anos de vida, mas não tínhamos escolha. E embora meus pais sempre tenham falado da importância da educação, quando fui para Manaus (AM) na cara e na coragem, nem avisei aos dois. Eles não iam apoiar, por conta de superproteção — detalha a guerreira, que foi morar com a tia na capital amazonense aos 16 anos.

Dificuldades na capital

Em Manaus, Marciele, muitas vezes, teve que escolher entre matar a fome ou estudar.

— Eu só tinha dinheiro para pagar a passagem do ônibus. Tinha que escolher entre comer ou ir para a faculdade. Passava o dia inteiro sem nada no estômago. A minha primeira e última alimentação era meu café da manhã. Ainda assim, eu aguentava. Era só água no restante do dia. Foi bem complicado. Tinham alguns amigos que dividiam o lanche deles comigo. Aí eu dizia que, quando tivesse dinheiro, iria comer o que eu quisesse e quantas vezes quisesse. Essa ideia ficou enraizada em mim. Já tentei tratar na terapia. Tenho essa preocupação de não ter o que comer no outro dia, sabe? — desabafa.

Marciele Albuquerque

Márcio Farias

No “BBB 26”, Marciele chamou atenção dos brothers, principalmente dos aliados, por sempre comer muito.

— Como comia bem pouquinho na época em que fui para Manaus, isso me gerou alguns gatilhos. E só fui ter noção dentro da casa (do “BBB”). Eu já como muito naturalmente, mas eu não sabia lidar com o controle. No vip, você pode comer tudo o que quer. Do nada, você tem que ser extremamente controlado (na xepa). Às vezes, eu dormia até tarde pra não sentir fome, pra acordar já para o almoço. A ansiedade também me fazia descontar na comida. Em alguns momentos já estava satisfeita e, ainda assim, eu continuava comendo porque eu não conseguia parar — avalia.

Formada em administração, Marciele acabou focando na arte. Ela começou a dançar no Caprichoso ainda na época da faculdade e nunca mais parou. Os movimentos de seu corpo se tornaram sinônimo de sobrevivência para ela.

— A dança virou significado de força. Longe de casa, longe da minha família... E tinha a ingenuidade também da menina do interior para lidar com as coisas da cidade grande... Então passei por uns bons bocados, entre trancos e barrancos. Consegui me formar, mas nunca parei de dançar — conta ela, que, além de ser influenciadora digital, tem duas empresas, uma de joias indígenas e outra de moda fitness.

Marciele Albuquerque

Márcio Farias

À frente do Boi Caprichoso, Marciele encara a arte de corpo e alma, mesmo sob o olhar preconceituso de algumas pessoas por conta de sua exposição.

— Nosso figurino deixa a gente quase seminua, então imagina. Não cheguei a sofrer assédio, mas preconceito. Quando eu falava que eu era dançarina, alguns já faziam um olhar que diz muita coisa. Além de comentários diminuindo a minha profissão. Sempre tive que ser muito dura e pulso firme com tudo isso para evitar qualquer coisa. Hoje em dia, está muito mais tranquilo porque as pessoas entendem mais — analisa.

Ativismo indígena

Hoje, além de representar o Boi Caprichoso, ela é ativista da causa indígena.

— O ativismo nasce com a gente. Vim de um lugar onde o ativismo é a única opção de luta, né? Antes de ter toda essa visibilidade, lutei muito. Cresci vendo minha mãe e minha avó lutarem. Ter uma consciência de classe veio de forma natural, sabe? Com o Boi Caprichoso, a gente leva isso para arena porque cultura é ativismo de forma poética e lúdica. Sendo mulher indígena, nortista e amazônida, sendo referência pra outras meninas... Tudo pelos nossos direitos e espaço — argumenta Marci, que agora também pensa ser atriz e quer entrar no curso de teatro.

Marciele Albuquerque

Márcio Farias

Solteira, a indígena quer aproveitar as oportunidades que estão surgindo após o “BBB” e nem pensa em namoro por enquanto.

— Eu não estou solteira, eu estou é abandonada (risos). Sempre fui uma pessoa muito arisca nas minhas relações. Nem estou preparada pra ter qualquer coisa agora. Sinto que me atrapalharia. Não estou a fim de dialogar com ninguém, a não ser que seja com a minha equipe (risos). Não pretendo ter um relacionamento tão cedo — conta a paraense, que garante que os beijos que deu em Chaiany, sua colega de confinamento, não passaram de uma alegria de momento: — Me vejo como hétero. Nunca fui de ficar em cima do muro para nada. Então acho que com Chaiany foi o calor da hora. Senti vontade, beijei. Ela é uma pessoa do bem, que eu quero levar pra minha vida. Está tudo certo. Com a Chai, foi realmente uma aventura maravilhosa. A gente lá dentro também tem carência. Só sabe quem viveu.

Marciele usou:

Acervo Fernanda Brasil @fernandah_brasil

Schutz @schutzoficial (sandália)

Majesté @majeste.oficial (vestido de franja)

Vai de cunhã @vaidecunha (acessórios)

Auêra ateliê @aueraatelie (acessórios)

Créditos:

Texto e produção executiva: Thomaz Rocha

Edição: Camilla Mota

Fotos Márcio Farias @marciofariasfoto

Estilo Fernanda Brasil @fernandah_brasil

Assistente de moda Sophia de Andrade @sophiadeandrade

Beleza Igor Leite @igorleitemua

Assistente de beleza Rogerio dos Santos @byrogeriodossantos

Marciele Albuquerque

Márcio Farias

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