Depois de décadas, água chega com regularidade a bairros do Grande Méier
A cena de abrir a torneira e ver a água cair com força, banal para muitos, ainda surpreende moradores do Grande Méier. Em ruas onde, por décadas, a falta d’água fazia parte da rotina, a mudança começou a ser sentida com a entrada em operação de novos sistemas de bombeamento e a ampliação da rede de abastecimento — um pacote de intervenções que segue em curso e prevê novas entregas nos próximos meses.
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Ao todo, 14 boosters (equipamentos que aumentam a pressão nas tubulações) já foram instalados em bairros como Engenho de Dentro, Engenho Novo, Encantado, Piedade, Sampaio, Cachambi, Pilares e Lins de Vasconcelos. Outros seis sistemas estão previstos para áreas do Riachuelo, Água Santa, Engenho Novo e Jacaré. As ações incluem ainda a implantação de 13 quilômetros de novas redes e integram um conjunto mais amplo de investimentos da Águas do Rio, que já alcança cerca de 210 mil moradores da Zona Norte.
O impacto começa a aparecer no cotidiano de quem conviveu por anos com a escassez. No Engenho de Dentro, o radialista aposentado Marcos Antônio Amorim, de 68 anos, conta que a dificuldade atravessou gerações e só recentemente deixou de fazer parte da rotina de cerca de 1.100 famílias na região, incluindo a sua.
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— Quando eu era criança, buscava água na rua ao lado ou contava com a ajuda de um vizinho que tinha uma cisterna maior. Minha mãe usava um coletor de chuva com uma canaleta que levava a água até a cisterna, onde colocava um pano branco na ponta do cano para filtrar a sujeira. Era com essa água que fazíamos tudo em casa. O que vejo hoje nem parece que é verdade — diz Amorim.
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A mudança veio com a instalação de um dos novos sistemas de bombeamento, que passou a garantir pressão suficiente para abastecer as casas da região, inclusive em pontos mais altos e distantes da rede.
No Méier, o cenário era semelhante em uma vila na Rua General Belegard, onde 69 casas enfrentaram mais de 40 anos de problemas no abastecimento. A intervenção incluiu a substituição da rede, a troca dos ramais e a instalação de uma bomba, o que permitiu que a água chegasse com regularidade às residências, como relata a síndica Lucinda Soares, de 74 anos:
— Os moradores da parte mais alta da vila não tinham água nem para beber. Foi impactante quando os profissionais finalizaram a obra. Ao ver a água saindo da torneira, um dos moradores se ajoelhou, ergueu as mãos para o céu e agradeceu.
Desde o início da concessão, em novembro de 2021, cerca de 59,5 quilômetros de redes de água foram implantados ou substituídos na Zona Norte. Fábio Dias, diretor-executivo da concessionária, diz que investir em infraestrutura de abastecimento nessa região significa levar mais dignidade, bem-estar e qualidade de vida para milhares de famílias:
— Quando ouvimos histórias como a do Marcos, percebemos como o acesso regular à água transforma a vida das pessoas.
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