Depois de alerta para o Sudeste e Centro-Oeste, ONS passa a ver chuvas abaixo da média no Sul
O verão tem registrado chuvas abaixo da média e os reservatórios da Bacia do Paraná já estão sendo afetados. Porém, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) também acendeu o alerta para a região Sul, que já vem registrando chuvas em menor quantidade.
Conforme boletim desta sexta-feira (16), houve piora nas estimativas para as precipitações que devem chegar às usinas hidrelétricas do Sul em janeiro, ao mesmo tempo em que o ONS elevou a previsão de consumo de energia no país no mês.
O órgão projetou que a quantidade de água que chegará aos rios que compõem a região Sul vai alcançar 79% da média histórica no Sul, contra 102% previstos na semana passada. O subsistema era o único que contava previsão de afluência acima da média histórica no mês.
O boletim do ONS também estima chuvas inferiores à média para o mês de janeiro, com 67% no Sudeste e Centro-Oeste, 43% no Nordeste e 74% na região Norte. Segundo o Operador Nacional, os reservatórios do Subsistema Sudeste/Centro-Oeste estão operando com 42,92% de sua capacidade de armazenamento de energia, valor bem próximo aos 41,71% verificados no início de 2022.
A situação está preocupando autoridades do setor elétrico e levou o governo a anunciar, nesta quinta-feira (15), uma primeira medida preventiva. O Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico anunciou um plano de ação para poupar água em reservatórios de hidrelétricas das regiões Sudeste e Centro-Oeste.
O Comitê recomendou a elaboração de plano para reduzir a vazão das usinas hidrelétricas da bacia do Paraná, como Jupiá e Porto Primavera. E cortes adicionais poderão ser feitos a partir de março, após o período da piracema, caso seja necessário em função das condições hidrológicas de fevereiro.
Alguns especialistas do setor de energia afirmam que ainda é cedo para falar em racionamento de água, ainda que os níveis de chuvas estejam muito abaixo da expectativa. No entanto, com reservatórios mais baixos, outra preocupação é que o preço da energia elétrica. Quem comenta é o diretor de Energia na Associação Brasileira dos Investidores em Autoprodução de Energia (Abiape), Paulo Sehn.
"Certamente, no momento em que reservatórios estiverem mais baixos, o preço da energia começará a ficar bem mais caro também. E essa certamente também é uma preocupação do mercado. Ainda não dá para dizer que estamos passando por um momento crítico, porque está muito no início, mas que de fato é preocupante, pois talvez haja uma elevação grande de preços", afirmou.
Nesta sexta-feira, o ONS também aumentou a projeção de consumo para 85,2 gigawatts médios em janeiro. Se confirmada a previsão, vai representar alta anual de 2,3% e não mais de 1,6%, como previsto na semana passada.
