Depois de 10 dias de tentativas, baleia jubarte na Alemanha volta a nadar, mas encalha novamente e preocupa autoridades
A baleia jubarte que mobiliza equipes de resgate no norte da Alemanha voltou a encalhar nesta quarta-feira (1º), desta vez em um banco de areia próximo à ilha de Poel, no Mar Báltico. As informações são da cobertura ao vivo da emissora alemã NDR, que acompanha o caso desde o início. Segundo os relatos, o animal está preso em águas rasas no lago Kirchsee e apresenta pouca movimentação.
Baleia jubarte encalhada na Alemanha: após uma semana de resgate, animal volta a nadar sozinho, mas segue ferido e desorientado
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De acordo com a emissora, a baleia afundou parcialmente na lama, o que dificulta ainda mais qualquer tentativa de deslocamento. Equipes de resgate optaram por não intervir durante a noite, na expectativa de que o animal pudesse recuperar forças e tentar se libertar sozinho.
Confira:
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Condições naturais agravam situação
O cenário, no entanto, tornou-se mais adverso ao longo do dia. Segundo o Ministério do Meio Ambiente de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, citado pela NDR, o nível da água deve cair cerca de 15 centímetros nas próximas horas, reduzindo ainda mais as chances de a baleia conseguir nadar livremente.
Apesar disso, há sinais de atividade. Autoridades relataram que o animal esteve “muito ativo” durante a noite, embora pela manhã tenha sido observado com movimentos limitados, permanecendo praticamente imóvel em uma área com cerca de dois metros de profundidade.
Um barco permanece de vigia no local, enquanto equipes aguardam uma decisão sobre os próximos passos, que deve ser anunciada após reuniões entre autoridades ambientais, cientistas e representantes de organizações como o Greenpeace.
Estratégia mantém aposta na autolibertação
Segundo especialistas ouvidos pela NDR, a estratégia inicial continua sendo permitir que a baleia tente se libertar por conta própria, evitando intervenções que possam causar ainda mais estresse. A área onde o animal está, no entanto, é considerada desfavorável, com águas rasas e geografia sinuosa, o que dificulta a saída.
A especialista Franziska Saalmann, do Greenpeace, afirmou que, embora o animal ainda esteja tentando se mover, seu estado geral é fraco e o prognóstico permanece desfavorável.
O biólogo marinho Thilo Maack acrescentou que o novo encalhe evidencia a debilidade da baleia, mesmo após ela ter conseguido nadar livremente na baía de Wismar no início da semana.
Sequência de encalhes e tentativas frustradas
Este é o quarto encalhe registrado desde que a baleia foi vista pela primeira vez, em 23 de março, próximo a Niendorf. Desde então, o animal já havia conseguido se libertar após uma operação com escavação de canal, voltou a nadar e, mais recentemente, deslocou-se pela baía de Wismar antes de ficar preso novamente em Poel.
Especialistas acreditam que, caso consiga escapar mais uma vez, o ideal seria que o animal retornasse pelo mesmo trajeto até o Mar do Norte, passando por águas dinamarquesas, até alcançar o Atlântico, seu habitat natural.
O que ainda se sabe e o que preocupa
A baleia jubarte não é uma espécie nativa do Mar Báltico, um ambiente considerado hostil devido à baixa salinidade, menor oferta de alimento e ausência de outros indivíduos da mesma espécie. Esses fatores podem comprometer sua orientação, saúde e capacidade de sobrevivência.
Especialistas apontam que o animal provavelmente se perdeu ao seguir cardumes de peixes ou por desorientação causada por ruídos subaquáticos. Há ainda indícios de que tenha se envolvido com cordas ou equipamentos de pesca, o que pode ter agravado seu estado.
Mesmo sendo capaz de sobreviver por semanas sem se alimentar, graças às reservas de gordura, a baleia apresenta sinais claros de fraqueza. O fato de ter encalhado repetidamente em poucos dias reforça a avaliação de que seu estado geral é delicado.
Neste momento, segundo a cobertura da NDR, o desfecho segue incerto. A combinação entre cansaço, condições ambientais adversas e a queda do nível da água reduz as chances de recuperação, enquanto equipes continuam monitorando o animal à distância, na expectativa de um novo, e decisivo, movimento.
