Dependência do mercado externo e conflitos geopolíticos preocupam setor de fertilizantes - QTU Questões do Universo

Dependência do mercado externo e conflitos geopolíticos preocupam setor de fertilizantes

Fonte: Bandeira da fonte

A preocupação com a dependência das importações em um ambiente geopolítico conturbado marcou o painel de abertura do 13º Congresso Brasileiro de Fertilizantes, que reúne representantes da indústria nesta terça-feira (25/8) em São Paulo.
Os especialistas apresentaram perspectivas para o mercado nos próximos anos e falaram sobre como o Brasil pode reduzir suas vulnerabilidades.

Se por um lado o Brasil se tornou uma potência agrícola, por outro, o país continua dependente da importação de insumos essenciais à produção.
Segundo o country manager da Mosaic, Eduardo de Souza Monteiro, a crise recente na disponibilidade do enxofre, matéria-prima essencial para a produção de ácido sulfúrico e fertilizantes fosfatados, demonstrou na prática os riscos dessa dependência.

O conflito no Oriente Médio, iniciado no final de fevereiro deste ano, reduziu a disponibilidade e pressionou custos em toda a cadeia.
O executivo ressaltou que, mesmo que o Brasil não alcance a autossuficiência, é possível perseguir uma segurança de suprimento.

O presidente da Yara Brasil, Marcelo Altieri, ressaltou que as crises recentes demonstraram que as cadeias logísticas podem ser interrompidas de um dia para o outro.
"A boa notícia é que aprendemos a ter melhor planejamento", afirmou, citando uma logística mais inteligente e maior competitividade.
Ao mesmo tempo, salientou a importância de reduzir a necessidade de importação de alguns insumos.
Também ressaltou o potencial do Brasil para produzir mais com menor emissão.

Para o embaixador Rubens Barbosa, diretor presidente do Instituto de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Irice), o próximo governo terá de estar atento à redução da vulnerabilidade do país em vários aspectos, desde logística até o abastecimento dos fertilizantes e a concentração do comércio exterior.
"O importante é que a gente tenha a consciência de que o mundo mudou e que o Brasil tenha que se ajustar levando em conta a segurança econômica do país."
Os debatedores também salientaram a necessidade de o Brasil diversificar suas exportações agropecuárias, que hoje têm como principal destino a China.
O gigante asiático tem dado sinais de que pretende aumentar a produção interna de alguns alimentos considerados estratégicos, reduzindo a necessidade de importações.

Eduardo Monteiro destacou que a China é um parceiro comercial importante e que essa relação será preservada, mas acrescentou que é necessário ampliar a presença do Brasil em outras regiões e buscar novos mercados, desenvolvendo oportunidades em países que apresentam crescimento populacional.
"Essa decisão precisa fazer parte de uma estratégia coordenada entre o Estado e o setor privado", resumiu.

O diretor da Escola de Relações Internacionais da Fundação Getulio Vargas (FGV), Matias Spektor, salientou os riscos de o Brasil direcionar para um único país cerca de 30% das suas exportações agropecuárias, mas acrescentou que o governo brasileiro já começou a fazer um movimento de diversificar o destino das suas exportações.

Citou como exemplo visitas recentes a países da Ásia e a possibilidade de acordos comerciais entre Mercosul e Japão e entre Mercosul e Coreia do Sul.
Também ressaltou que o país está enviando uma nova geração de embaixadores para esses países.

Para o embaixador Rubens Barbosa, a questão da China é crucial.
"Eles não querem depender do Brasil e dos EUA para o fornecimento de produtos agrícolas".