Deolane Bezerra presa: imagens de depósito mostram que contas da influenciadora foram usadas pelo PCC
A investigação que levou à prisão de Deolane Bezerra nesta quinta-feira ganhou força após a polícia localizar imagens de depósitos e movimentações financeiras destinadas a contas ligadas à influenciadora em aparelhos apreendidos durante a apuração sobre lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital, o PCC.
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Segundo o Ministério Público de São Paulo e a Polícia Civil, os comprovantes foram encontrados no celular de Ciro Cesar Lemos, apontado como operador central do esquema financeiro da facção e homem de confiança de Marco Herbas Camacho e de seu irmão, Alejandro Camacho.
As imagens, segundo a investigação, mostram depósitos destinados a contas de Deolane e de Everton de Souza, conhecido como “Player”, preso nesta quinta-feira e apontado como operador financeiro da organização criminosa.
De acordo com os investigadores, os valores saíam da transportadora Lopes Lemos Transportes — identificada pela polícia como empresa de fachada utilizada pelo PCC para lavagem de dinheiro — e eram distribuídos por meio de contas indicadas pelos operadores do esquema. A polícia afirma que Everton de Souza aparecia em mensagens interceptadas orientando a divisão do dinheiro e indicando contas que receberiam os valores.
A partir do cruzamento de dados bancários, relatórios financeiros e provas apreendidas desde 2019, os investigadores concluíram que contas pessoais e empresariais ligadas a Deolane teriam sido utilizadas como destino de parte dos recursos movimentados pela facção.
Segundo a investigação, entre 2018 e 2021, a influenciadora recebeu em sua conta física R$ 1.067.505 em depósitos fracionados abaixo de R$ 10 mil — prática conhecida no sistema financeiro como “smurfing”, usada para dificultar a identificação de operações suspeitas.
Os investigadores apontam que Everton de Souza atuava como intermediador dessas movimentações e indicava a conta da influenciadora para “fechamentos mensais”.
Outro ponto considerado suspeito pela polícia envolve cerca de 50 depósitos feitos em duas empresas ligadas a Deolane, somando aproximadamente R$ 716 mil. Os valores teriam sido enviados por uma empresa apresentada como banco de crédito, registrada em nome de um homem da Bahia com renda mensal próxima de um salário mínimo.
Segundo o Ministério Público, a análise das contas não identificou pagamentos, contratos ou operações comerciais que justificassem os créditos recebidos. A investigação também afirma não ter localizado prestação de serviços advocatícios que explicassem os repasses para as contas da influenciadora e de suas empresas.
Para os investigadores, a estrutura empresarial, a exposição pública e a movimentação patrimonial de Deolane teriam sido utilizadas como “camadas de aparente legalidade” para ocultar recursos ilícitos.
A Justiça de São Paulo autorizou o bloqueio de R$ 27 milhões vinculados à influenciadora, valor que, segundo a decisão, não teve origem comprovada e apresenta indícios de lavagem de dinheiro.
A Operação Vérnix também determinou o bloqueio total de R$ 357,5 milhões em ativos financeiros dos investigados, além da apreensão de 39 veículos avaliados em mais de R$ 8 milhões.
As investigações começaram em 2019, após a apreensão de bilhetes e manuscritos na Penitenciária II de Presidente Venceslau. O material mencionava movimentações financeiras da facção, ordens internas e uma “mulher da transportadora”, referência que levou os investigadores à empresa apontada como braço financeiro do PCC.
Além de Deolane, a operação teve como alvos familiares de Marcola e integrantes apontados como responsáveis pela gestão financeira da organização criminosa. Até o momento, a defesa da influenciadora não comentou as acusações.
