Denúncia aponta que chefe da agência antidoping da Rússia participou de esquema nos Jogos de Sochi
A World Anti-Doping Agency (WADA) recebeu nos últimos meses uma denúncia de um delator afirmando que a atual chefe da agência antidoping da Rússia teria participado do esquema estatal de doping revelado após os Jogos de Inverno de 2014, em Sochi.
Segundo duas fontes com conhecimento da acusação, a diretora-geral da Russian Anti-Doping Agency (RUSADA), Veronika Loginova, teria estado diretamente envolvida na tentativa de encobrir resultados de exames antidoping durante os Jogos de Sochi.
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A denúncia surge num momento sensível: a Rússia busca restabelecer sua elegibilidade olímpica e prepara o envio de uma pequena delegação aos Jogos Paralímpicos do próximo mês, na Itália, após mais de uma década de sanções.
A acusação não pôde ser verificada de forma independente. Nem a RUSADA nem Loginova responderam imediatamente aos pedidos de comentário.
Investigação em curso
O porta-voz da WADA, James Fitzgerald, confirmou que a entidade recebeu informação de “uma fonte conhecida que apresentou uma nova e grave alegação”. Ele não mencionou o nome da pessoa acusada, mas afirmou que o caso foi encaminhado ao departamento de inteligência e investigações da agência.
Fitzgerald acrescentou que a denúncia inicial não veio acompanhada de provas documentais e que, até o momento, não foram apresentados elementos corroborativos.
Caso as acusações se confirmem, o cenário levantaria dúvidas sobre a escolha de Loginova para comandar a agência russa, já que ela assumiu o cargo em 2021 em processo supervisionado pela própria WADA.
O escândalo de Sochi
Nos Jogos Olímpicos de Inverno de 2014 Winter Olympics, a Rússia executou um dos esquemas de doping mais sofisticados da história recente do esporte, com participação de autoridades antidoping e agentes do serviço de segurança federal.
A manipulação envolvia a troca e adulteração de amostras de urina de atletas russos. Em 2019, a WADA concluiu que autoridades russas haviam apagado ou alterado dados de testes de mais de 200 atletas para protegê-los de resultados positivos.
Desde então, a Rússia foi impedida de competir sob sua bandeira em Jogos Olímpicos de Verão e Inverno — inicialmente por violações antidoping e, mais recentemente, em razão da invasão da Ucrânia em 2022. Alguns atletas russos participaram como neutros.
Retorno gradual
Apesar de a RUSADA estar formalmente em descumprimento das regras da WADA por grande parte dos últimos dez anos, a Rússia se prepara para retornar ao cenário olímpico por meio da participação nos Jogos Paralímpicos na Itália.
A eventual reintegração pode abrir caminho para o envio de uma equipe completa aos Jogos Olímpicos de 2028, em Los Angeles.
Travis Tygart, diretor-executivo da Agência Antidoping dos Estados Unidos, afirmou que o histórico russo exige vigilância:
— Eles estão voltando à competição, e as pessoas começam a perguntar o que está acontecendo por lá. Com o programa estatal e o descumprimento contínuo, perderam qualquer benefício da dúvida.
Loginova iniciou a carreira na área antidoping em 2010, segundo o site da RUSADA, e também trabalhou na Agência Médico-Biológica Federal e no Ministério do Esporte da Rússia. Representou o país em delegações olímpicas entre 2014 e 2020 e recebeu condecoração estatal por serviços prestados ao esporte.
