Denúncia aponta que chacal foi ‘queimado vivo’ em zoológico da Índia
Um chacal que fugiu de seu recinto no zoológico de Délhi, na Índia, teria sido “queimado vivo” por funcionários após buscar refúgio na toca de um urso-do-himalaia. A acusação consta em uma denúncia encaminhada ao Ministério do Meio Ambiente e traz de volta à discussão assuntos referentes aos maus-tratos e à administração de animais em cativeiro no país.
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De acordo com o Sindicato Nacional dos Trabalhadores de Zoológicos, quatro chacais escaparam em novembro devido a uma abertura na cerca, resultante de “grave negligência administrativa, ausência de supervisão e falha na gestão em assegurar os padrões de segurança”. Com isso, um dos animais acabou entrando no recinto de um urso-negro-do-himalaia.
“Como o animal é carnívoro e há fornecimento limitado de alimento no zoológico, eles acabaram retornando ao recinto. Com exceção de um chacal, que permaneceu solto antes de entrar no recinto do urso”, disse um funcionário do zoológico.
De acordo com a carta do sindicato, trabalhadores despejaram pó de pimenta dentro da toca e, em seguida, atearam fogo ao local.
“Eles talvez esperassem que a fumaça e o cheiro do pó de pimenta fizessem o chacal sair da toca. Isso tornou o ar dentro da toca tóxico. O chacal também apresentava algumas queimaduras”, afirmou um funcionário do local ao portal “The Independent”, que pediu anonimato.
A carta ainda atesta que “embora fosse cruel, os trabalhadores foram orientados a incinerar o corpo do chacal em vez de enviá-lo para a necropsia”. O procedimento é previsto e estabelecido na lei indiana. Não está claro se o animal morreu por asfixia ou em decorrência das queimaduras.
Na denúncia, o sindicato classificou o episódio como um ato de “crueldade extrema e morte ilegal”, que deveria resultar em punições previstas na “Lei de Proteção à Vida Selvagem”, que é de 1972, e na “Lei de Prevenção à Crueldade contra Animais”, que foi escrita em 1960 — principal legislação que protege animais silvestres e regula zoológicos na Índia.
Protocolo com falhas e abertura de investigação
Além disso, o documento afirma que, dois dias depois, funcionários entraram na toca para coletar os restos mortais do chacal e foram instruídos a descartar a carcaça de maneira discreta, sem informar a equipe veterinária. O protocolo estabelecido determina que mortes sejam comunicadas imediatamente e que necropsias sejam realizadas no hospital do zoológico, o que o procedimento violaria.
De acordo com o sindicato, a série de falhas aponta para crimes que podem ser investigados, abuso de autoridade, destruição de evidências e um “colapso total da governança”. A carta também destaca a violação de diretrizes obrigatórias da Autoridade Central de Zoológicos e afirma que o incidente compromete o compromisso declarado do país com a preservação da vida selvagem.
Diante da gravidade das acusações, o sindicato pediu ao Ministério do Meio Ambiente a abertura de uma investigação independente e a suspensão imediata dos envolvidos, além da preservação das imagens de câmeras de segurança entre 14 e 20 de dezembro de 2025, consideradas “provas eletrônicas vitais”.
Na terça-feira, uma equipe do ministério fez uma visita ao zoológico após receber a denúncia. O diretor do zoológico, Sanjeet Kumar, não se manifestou quando procurado. Em uma declaração ao “The Indian Express”, ele declarou que nenhum incidente desse tipo havia sido registrado internamente e que a quantidade de chacais está de acordo com os registros oficiais.
“Uma denúncia foi recebida. O diretor adjunto foi encarregado de apurar a alegação”, afirmou Kumar.
Nair Vishnuraj Narendran, diretor adjunto do zoológico de Délhi, declarou ao “The Independent” que “o caso está sob investigação” e, portanto, não poderia fazer comentários sobre o tema no momento.
