Estado crucial se os democratas quiserem conquistar a maioria no Senado, Michigan tem visto a frágil coalizão em torno do candidato Abdul El-Sayed se fragmentar a poucos dias da eleição de meio de mandato. A imprensa americana noticiou que a deputada Haley Stevens, que perdeu nas primárias para El-Sayed, não constava mais na lista de participantes de um comício de El-Sayed em Detroit neste domingo (1º).
A campanha do democrata teria pedido a Stevens que não comparecesse aos eventos dos últimos dias, após os dois passarem a semana trocando farpas por causa de um anúncio envolvendo o conflito em Gaza e a posição de Israel. Esse foi um tema muito importante nas primárias em Michigan, com Stevens mais próxima da comunidade judaica e El-Sayed, filho de um egípcio, dos árabes-americanos.
Stevens classificou como antissemita um anúncio veiculado por um grupo progressista externo à campanha de El-Sayed. O anúncio se passa em um supermercado e sugere que Israel e a guerra em Gaza sobrecarregam os preços aos americanos.
Apesar de El-Sayed não ter ligação com o anúncio, essa foi uma retórica que ele utilizou em momento de sua campanha. Stevens queria que o candidato pedisse desculpas pelo anúncio, mas El-Sayed respondeu que ela apenas parecia querer reabrir a disputa das primárias, encerrada há três meses.
"Não tenho a mínima ideia do que Haley Stevens está fazendo”, disse outra senadora democrata do Michigan, Mallory McMorrow, na sexta-feira (30) à CNN . “Esse é um momento em que precisamos reconhecer a gravidade da situação", afirmou, em referência às tentativas de Trump de influenciar os resultados antes mesmo da eleição.
A cadeira em disputa para o Senado pelo Michigan é a única considerada como um empate pelo Cook Political Report que está nas mãos dos democratas. Defender esse assento é fundamental se o partido quiser conquistar a maioria na Casa.
Além disso, a vitória de El-Sayed será um teste sobre a viabilidade nas urnas de alas mais progressistas do partido democrata. Mas, na quinta-feira (29), El-Sayed foi alvo de outro “fogo amigo”.
Ex-presidente da Câmara dos Deputados, Nancy Pelosi, democrata da Califórnia, criticou o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, e El-Sayed por suas opiniões sobre Israel, classificando suas posições como "erradas" e afirmando que elas não representam os democratas no Congresso.
"Essa nova pessoa em Michigan, vamos ver se ela será eleita para o Congresso. Mas o prefeito, coitado, espero que ele tenha sucesso como prefeito, mas não concordo com algumas das coisas que ele disse", afirmou ao participar do podcast "On Brand".
No dia seguinte, Pelosi teve de ir às redes sociais reafirmar seu apoio a El-Sayed, após referir-se a ele como "essa nova pessoa em Michigan". "Não se enganem: os democratas estão unidos em uma grande onda azul pelo povo.
Para reduzir custos, proteger a saúde e defender nossa democracia, precisamos eleger uma Câmara e um Senado democratas. Exorto todos nos Estados Unidos a apoiarem nossos candidatos democratas ao Senado, incluindo @AbdulElSayed.
Cada assento importa. Cada voto conta.
Vamos vencer juntos!", afirmou, marcando o candidato no X. O ex-presidente Barack Obama foi a Michigan na semana passada dar apoio a El-Sayed.
Ele disse que o candidato estava "lutando por mudanças reais". Em setembro, a ex-vice-presidente Kamala Harris já havia visitado o candidato.
O médico de 41 anos é filho de egípcios e, se eleito, será o primeiro muçulmano a assumir uma cadeira na Casa. “Não tem problema não se apaixonar por um candidato”, disse Harris em Detroit, cidade predominantemente negra.
Harris foi a primeira mulher e pessoa negra vice-presidente dos EUA. El-Sayed tenta mobilizar essa comunidade para votar nele, ao mesmo tempo em que tenta não perder o tradicional apoio dos judeus ao partido democrata.
No fim de agosto, El-Sayed chegou a pedir desculpas por comentários que foram interpretados como justificativas para o ataque a uma sinagoga no Estado em março. Abdul El-Sayed
Reuters/Rebecca Cook
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