Delegado e policiais civis do Rio são alvos da PF por extorquir dinheiro de traficantes do CV dentro de delegacia

 

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A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta terça-feira, a Operação Anomalia II, que tem como objetivo de desarticular, segundo a corporação, um núcleo criminoso composto por policiais civis do Estado do Rio e operadores financeiros. Agentes visam a cumprir quatro mandados de prisão preventiva e três mandados de busca e apreensão na capital, expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF). O grupo é investigado por usar uma delegacia para extorquir dinheiro de integrantes do Comando Vermelho, além de praticar corrupção e lavagem de capitais. Nesta segunda-feira, na primeira etapa da Operação Anomalia, três pessoas foram presas, entre elas um delegado da PF.

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Além das prisões e buscas, a Suprema Corte deferiu a execução de medidas cautelares focadas na descapitalização do grupo, incluindo o afastamento imediato das funções públicas dos policiais investigados, a suspensão do exercício de atividades empresariais das pessoas jurídicas utilizadas nas práticas criminosas e o bloqueio de valores em contas bancárias e de criptoativos ligados aos alvos.

As apurações revelaram que o esquema era chefiado pelo delegado-titular da delegacia da capital usada como base pelos investigados e por outro policial civil. De forma reiterada, os servidores emitiam intimações com o propósito exclusivo de coagir e pressionar chefes do tráfico no Rio, exigindo o pagamento de propinas — segundo a PF as quantias eram "significativas" — para omissão em atos de ofício.

A negociação ilícita ocorria com cobranças incisivas e imposição de prazos. Para operacionalizar o recebimento do dinheiro e manter um distanciamento físico dos chefes do CV, os policiais contavam com a atuação direta de dois intermediários.

Movimentação patrimonial milionária e incompatível

A inteligência financeira da PF detectou que os policiais investigados apresentam movimentação patrimonial milionária e incompatível com seus vencimentos lícitos. Para promover a ocultação e dissimulação do dinheiro sujo, a estrutura criminosa contava com uma rede de empresas de fachada registradas em nome de parentes, agora alvos de suspensão judicial.

A ação integra a Força-Tarefa Missão Redentor II, instituída em cumprimento ao Acórdão da ADPF 635, que visa a assegurar a atuação uniforme e coordenada da Polícia Federal na produção de inteligência e repressão aos principais grupos criminosos violentos no Estado do Rio. O foco principal é a asfixia financeira e a ruptura das conexões das facções com agentes públicos.

Os investigados responderão pelos crimes de organização criminosa, extorsão, corrupção passiva e ativa, além de lavagem de capitais.

Em nota, a Polícia Civil afirmou que "não compactua com nenhum tipo de desvio de conduta e atividade ilícita, reiterando seu compromisso de combate ao crime em defesa da sociedade".

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