Delegado diz que investigação está concluída e menor seria a "mente por trás disso tudo"
O delegado titular da 12ª DP (Copacabana), Ângelo Lages, afirmou nesta quarta-feira que a atuação da Polícia Civil no caso do estupro coletivo de uma adolescente de 17 anos está concluída. Segundo ele, o inquérito já reuniu elementos suficientes de autoria e materialidade e foi encaminhado ao Ministério Público, que ofereceu denúncia.
— O trabalho da polícia já foi concluído. A partir do momento que eu tenho a autoria delimitada e a materialidade do delito, eu posso fechar a investigação e mandar para o Ministério Público — afirmou.
Ao representar pelas prisões, o delegado também solicitou mandados de busca e apreensão. A intenção era recolher não apenas celulares, mas outros aparelhos eletrônicos, já que, segundo ele, é comum que crimes desse tipo envolvam registros em vídeo e troca de mensagens antes e depois dos fatos. A polícia queria acessar eventuais imagens e conversas que pudessem indicar combinação prévia do encontro e reações após o crime.
— É muito comum que, nesse tipo de crime, eles façam filmagens. A gente queria ter acesso a essas imagens e às conversas, porque provavelmente combinaram antes e podem ter trocado mensagens depois do ocorrido — disse.
No entanto, a Justiça autorizou apenas os mandados de prisão.
Em relação ao adolescente apontado como envolvido, Lages disse que a corporação adotou o mesmo procedimento aplicado aos maiores de idade e representou pela busca e apreensão. Para o delegado, há indícios de que o menor teria papel central no caso e já mantinha relacionamento anterior com a vítima. O Ministério Público opinou pela não apreensão, e a decisão judicial ainda não foi proferida.
— A mesma forma que a gente fez com os maiores, a gente fez com com o menor. A gente representou pela busca e apreensão, até por entender que ele é a mente por trás disso tudo. Ele que tinha a confiança das vítimas, ele que já teve o relacionamento anterior com essas vítimas, uma de 14 anos, a outra de 17 anos. Por isso pela apreensão dele. O promotor opinou pela não apreensão e a gente está aguardando a decisão da justiça, que ainda não se pronunciou — afirmou.
Sobre a dinâmica de um dos episódios investigados, o delegado afirmou que a vítima esteve em uma festa do Colégio Pedro II, realizada em uma casa de eventos no Humaitá. De acordo com a apuração, ela teria sido levada ao segundo andar do imóvel, onde o crime ocorreu.
— Havia um segundo andar no local, e ele teria levado a vítima até lá e praticado o crime — declarou.
Questionado sobre a alegação da defesa de Vitor Hugo de que ele não foi ouvido antes da decretação da prisão, Lages afirmou que a oitiva não era necessária naquele momento. Segundo ele, o inquérito policial tem como objetivo apurar autoria e materialidade e, uma vez reunidas provas consideradas contundentes, a investigação pode ser concluída e encaminhada ao Ministério Público.
— Essa questão da oitiva não faz sentido. Eu não tinha necessidade de ouvi-los, uma vez que tínhamos provas contundentes de que dentro daquele apartamento aconteceu esse crime brutal — disse.
O delegado reiterou que, no caso da vítima que denunciou o estupro ocorrido em 31 de janeiro, o trabalho policial está encerrado. Já em relação a uma nova denúncia, referente a um fato ocorrido em 2023, ele afirmou que a investigação ainda está em andamento e que a polícia busca reunir provas para, se for o caso, representar novamente por medidas judiciais contra o adolescente.
— Em relação a essa nova vítima, a gente precisa trabalhar. O fato foi em 2023, e vamos tentar trazer provas para, se necessário, representar novamente pela busca e apreensão do menor — concluiu.
