Delegacia de Homicídios indicia 11 traficantes por morte de policiais na megaoperação nos complexos do Alemão e da Penha
A Delegacia de Homicídios da Capital (DHC) indiciou 11 traficantes suspeitos de envolvimento nas mortes dos policiais civis Marcus Vinícius Cardoso de Carvalho, Rodrigo Velloso Cabral e Rodrigo Vasconcellos Nascimento e dos policiais militares Cleiton Serafim Gonçalves e Heber Carvalho da Fonseca. Os agentes foram mortos durante a megaoperação Contenção, realizada nos complexos do Alemão e da Penha, em 28 de outubro de 2025. Entre os criminosos identificados, estão Edgar Alves de Andrade, o Doca; Carlos da Costa Neves, o Gadernal; e Pedro Paulo Guedes, o Pedro Bala.
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As investigações apontaram que os policiais foram recebidos sob intenso tiroteio desde a chegada à comunidade, especialmente na área de mata da Vacaria. Os traficantes montaram uma espécie de cerco contra as equipes da PM e da Polícia Civil. Houve disparos de diversos pontos, uso de barricadas incendiadas e ataques com granadas. De acordo com a DHC, os bandidos aumentaram os ataques após notarem que tinham baleado os policiais e quando os agentes tentavam resgatar os colegas. Os traficantes chegaram a simular uma rendição para fazer mais vítimas entre os agentes.
Gardernal e Doca
reprodução
Os policiais da DHC concluíram que os disparos que atingiram os policiais e feriram o delegado Bernardo Leal partiram da Vacaria. Havia criminosos escondidos em bunkers improvisados na mata, de onde tinham ampla visão da movimentação da polícia.
Na operação, sete traficantes que estavam nesse esconderijo foram capturados. Com eles, os agentes apreenderam sete fuzis e uma pistola Glock, todas com sinais recentes de utilização. Cinco desses bandidos foram baleados, e os outros dois foram levados para a delegacia.
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A partir das diligências e do trabalho de cruzamento de dados, os policiais identificaram que o oitavo suspeito indiciado, que não foi preso durante a operação, estava com os demais criminosos. O traficante, segundo a polícia, confessou em redes sociais sua participação no crime e afirmou ter sido ele quem atingiu o policial Rodrigo Velloso Cabral no pescoço. A partir dessas informações, a DHC representou pela prisão preventiva dele.
A investigação mostrou que o ataque foi coordenado por chefes do Comando Vermelho. Doca comanda o tráfico no Complexo da Penha, e nenhum ataque ocorre sem seu aval ou determinação. Gadernal é o braço direito de Doca e responsável por gerenciar as finanças, logística, segurança e execuções de ordens como torturas. Pedro Bala age como braço operacional e gerente-geral ao lado de Doca.
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O inquérito policial concluiu que a intenção dos criminosos era atacar e matar o maior número possível de policiais envolvidos na operação. Os criminosos foram indiciados por homicídio qualificado, com agravantes relacionados à emboscada, emprego de armamento de guerra e atuação contra agentes de segurança pública. O relatório final já foi encaminhado à Justiça.
