Déficit comercial de bens dos EUA atinge US$ 1,2 trilhão em 12 meses

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Fonte da notícia: Cafezinho Cafezinho

O déficit comercial de bens dos Estados Unidos atingiu a marca de US$ 1,20 trilhão no acumulado em doze meses encerrado em setembro de 2026, com exatos US$ 1.197,97 bilhões de saldo negativo nas trocas de mercadorias físicas, mantendo o rombo comercial da maior economia do mundo acima da barreira de um trilhão de dólares pelo quarto ano seguido, segundo as séries oficiais compiladas na base de dados econômicos do Federal Reserve de St.

Louis (FRED) a partir do Departamento de Comércio norte-americano. Considerada a soma de bens e serviços, na qual o superávit em serviços financeiros, tecnologia e turismo atenua parte do déficit nas mercadorias físicas, o saldo comercial total dos Estados Unidos fechou o período de doze meses até setembro de 2026 negativo em US$ 839,58 bilhões.

No mesmo intervalo acumulado de doze meses até setembro de 2026, a corrente total de comércio exterior dos Estados Unidos bateu recorde histórico de US$ 8,29 trilhões (US$ 8.293,80 bilhões), um crescimento de 7,0% em relação aos US$ 7,75 trilhões registrados nos doze meses imediatamente anteriores.

O resultado refletiu o novo recorde das importações norte-americanas de bens e serviços, que alcançaram US$ 4,57 trilhões (US$ 4.566,69 bilhões) em doze meses, alta de 4,3% sobre os US$ 4,38 trilhões do ciclo anterior, enquanto as exportações totais do país somaram US$ 3,73 trilhões (US$ 3.727,11 bilhões), avanço de 10,6% na mesma base de comparação.

Importações, exportações e déficit comercial de bens dos Estados Unidos em 12 meses até setembro, de janeiro a setembro e no mês de setembro (em US$ bilhões). Fonte, FRED / BEA.

Na leitura do acumulado do ano, entre janeiro e setembro de 2026, o déficit comercial de mercadorias dos Estados Unidos alcançou US$ 938,58 bilhões, ficando em US$ 662,25 bilhões quando descontado o saldo positivo do setor de serviços. Nos nove primeiros meses de 2026, as importações totais dos Estados Unidos atingiram o recorde histórico de US$ 3,51 trilhões (US$ 3.513,42 bilhões), alta de 6,2% frente aos US$ 3,31 trilhões de janeiro a setembro de 2025 e de 15,1% sobre os US$ 3,05 trilhões de igual período de 2024.

Já as exportações acumuladas de janeiro a setembro de 2026 somaram US$ 2,85 trilhões (US$ 2.851,17 bilhões), superando os US$ 2,55 trilhões verificados nos nove primeiros meses do ano passado. O dado mais agudo da série aparece no recorte mensal de setembro de 2026, quando o déficit comercial dos Estados Unidos voltou a acelerar fortemente na comparação com o mesmo mês do ano anterior.

Em setembro de 2026, o saldo negativo total de bens e serviços saltou para US$ 105,05 bilhões, um aumento de 76,9% frente ao déficit de US$ 59,39 bilhões registrado em setembro de 2025 e acima também dos US$ 83,30 bilhões de setembro de 2024. Apenas na conta de bens físicos, o déficit mensal norte-americano atingiu o recorde de US$ 135,91 bilhões em setembro de 2026, alta de 54,6% sobre os US$ 87,90 bilhões de setembro do ano passado, puxado por importações mensais recordes de US$ 426,56 bilhões.

Os números mostram que as tarifas alfandegárias impostas por Washington não reduziram a dependência estrutural da economia norte-americana em relação às cadeias globais de suprimentos. Pelo contrário, a corrida das empresas de tecnologia para construir centros de processamento de inteligência artificial provocou uma disparada nas compras externas de servidores, placas aceleradoras, transformadores elétricos e semicondutores vindos de Taiwan, da Coreia do Sul, do México, do Vietnã e da própria China, ao mesmo tempo em que o consumo das famílias manteve elevada a entrada de veículos, medicamentos e bens de consumo.

Na divisão por blocos parceiros, o comércio exterior dos Estados Unidos em 2026 registra déficits bilaterais volumosos com o México, a União Europeia, o Vietnã, Taiwan, a Coreia do Sul, o Japão e a Índia, que passaram a intermediar etapas finais de montagem de produtos industriais antes importados diretamente dos portos chineses.

Essa reorganização logística alongou as rotas de transporte e encareceu o preço final dos produtos importados pelos consumidores e pelas indústrias norte-americanas sem eliminar o déficit externo de mercadorias do país. Para o Brasil, o apetite importador recorde de US$ 4,57 trilhões dos Estados Unidos em doze meses abriu espaço para o crescimento de 8,4% nas vendas brasileiras ao mercado norte-americano no período, com destaque para óleo bruto, aviação regional, siderurgia e alimentos.

Na arena doméstica norte-americana, porém, a permanência de um déficit de bens de US$ 1,20 trilhão em doze meses e o salto do rombo mensal acima de US$ 105 bilhões em setembro expõem os limites da política tarifária para reindustrializar o país no curto prazo sem pressionar os custos internos de produção.

Publicação Original Cafezinho ocafezinho.com
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