Defesa diz que Monique Medeiros, mãe de Henry Borel, está 'super abalada' e que 'jamais foi omissa'
A menos de uma hora para o início do júri em que a professora Monique Medeiros e o ex-vereador Dr. Jairinho são réus pela morte do menino Henry Borel, dos quais eram mãe e padrasto, respectivamente, a defesa de Monique sustenta que o “verdadeiro responsável” pelo homicídio é Jairinho. A advogada Florence Rosa falou com a imprensa na porta do Tribunal de Justiça, no Centro do Rio.
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— Estamos muito confiantes nisso e também na Justiça. E, em segundo, a nossa expectativa também é demonstrar a inocência de Monique Medeiros, que ela jamais foi omissa, o que ela não teve foi tempo, e mostraremos isso através da extração de dados — afirma a advogada.
Dr Jairinho e Monique Medeiros
Reprodução
Florence pontua que o desaparecimento da babá de Henry, Thayná Oliveira, que não foi localizada pela Justiça, não impedirá o trabalho da defesa de Monique.
— A Monique está super abalada da pela perda do filho e também por estar sendo, de alguma forma, responsabilizada pela morte do filho. Ela está em um estado depressivo, mas , por outro lado, confiante de que a Justiça será feita — completa a advogada de Monique.
Protestos
Na porta do Tribunal de Justiça, também surgem algumas pessoas com camisas com o rosto de Henry. O casal Hilário Teixeira Barreto e Elaine Estrela Barreto, pais de Marcelo Estrela, morto em 2016, trouxeram faixas com o rosto do filho e de Henry, para apoiar Leniel Borel, pai de Henry.
Henry Borel morreu aos 4 anos, em março de 2021. O ex-vereador e então padrasto do menino, Jairo Souza Santos Júnior, o Jairinho, responde por homicídio qualificado, tortura e coação. Monique Medeiros, é acusada de homicídio por omissão qualificado, tortura e coação. Ambas as acusações têm o agravante de as agressões terem ocorrido em ambiente familiar e a vítima ser menor de 14 anos. Se forem condenados, a pena pode chegar a mais de 50 anos de prisão para cada um.
Henry Borel tinha 4 anos quando morreu em casa
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O laudo de necrópsia apontou que a criança sofreu hemorragia interna e laceração hepática e apresentava equimoses, hematomas, edemas e contusões que não seriam compatíveis, segundo peritos, com um acidente doméstico, como queda. A defesa de Jairinho tenta impedir que esse laudo seja apresentado no julgamento. Segundo os advogados, o perito oficial modificou o laudo após debater o caso com uma outra perita que se disponibilizou a ajudar o pai do menino, “sob anonimato”. Leniel, o Ministério Público e a Polícia Civil negam qualquer manipulação dos laudos.
Novo laudo
Em janeiro deste ano, a acusação apresentou um novo laudo, que reconstruiu o caso em 3D, concluindo que a morte de Henry foi provocada por agressões físicas e descartando a hipótese de queda acidental. Elaborado pela Divisão de Evidências Digitais e Tecnologia (Dedit), com assistência técnica do MP, o documento descreve um padrão de lesões externas e internas incompatível com acidente doméstico.
Durante as investigações, a policia ouviu outras 18 testemunhas, entre familiares, vizinhos e funcionários da família. Monique e Jairinho estão presos preventivamente no Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu, na Zona Oeste do Rio.
