Defesa de Vorcaro nega pedido de delegada da PF para acessar celular durante acareação no STF; veja vídeo
Durante acareação realizada no Supremo Tribunal Federal (STF) no fim de 2025, a defesa do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, negou levantar o sigilo do aparelho celular do banqueiro após pedido da Polícia Federal. A negativa foi feita pelo advogado Roberto Podval à delegada Janaína Palazzo, responsável pela investigação.
— A senhora me pediu se eu poderia abrir o sigilo do celular do Vorcaro e eu disse que não abriria pois eu tinha receio dos vazamentos — disse o defensor.
O advogado ponderou que a delegada havia declarado que o sigilo seria absoluto, mas justificou a negativa do sigilo do aparelho após perguntas que seriam feitas durante o depoimento terem sido divulgadas previamente.
Na acareação, Vorcaro e o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, apresentaram versões divergentes sobre a origem das carteiras de crédito consideradas problemáticas adquiridas pelo banco público a partir de 2025.
Vorcaro afirmou que o BRB tinha conhecimento de que parte dos créditos não havia sido originada pelo Master, mas por uma empresa terceira, a Tirreno. Segundo ele, o modelo de negócios previa a compra de carteiras estruturadas por outros agentes.
— O BRB sabia que aqueles créditos não eram do Master. Isso foi informado desde o início — disse.
Paulo Henrique Costa, por sua vez, negou essa versão. O ex-presidente do BRB afirmou que sempre entendeu que os ativos tinham origem no próprio Master e que só mais tarde surgiram dúvidas sobre a procedência das carteiras.
— Em nenhum momento me foi dito que os créditos não eram do Master. Essa informação só apareceu depois, quando começaram os problemas — declarou.
Segundo Costa, as inconsistências na documentação e a menção à Tirreno só vieram à tona meses depois do início das operações. “Até então, o entendimento era de que se tratava de créditos do próprio banco, ainda que negociados com terceiros”, afirmou.
A divergência foi explorada pela Polícia Federal, que conduz investigação sobre um suposto esquema de negociação de créditos sem lastro. O caso integra as apurações que levaram à liquidação do Banco Master e à identificação de prejuízos bilionários no sistema financeiro.
