Defesa de suspeitos pela morte do cachorro Orelha pede 'cautela' no 'compartilhamento de imagens' dos adolescentes
Os advogados Alexandre Kale e Rodrigo Duarte, que representam dois dos adolescentes investigados pela morte do cachorro Orelha, na Praia Brava, em Florianópolis, pediram cautela e responsabilidade no compartilhamento de imagens e informações sobre o caso. Em nota divulgada nesta terça-feira (27), a defesa afirma que a exposição de menores de idade nas redes sociais viola o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e tem alimentado um “linchamento virtual” contra os jovens e suas famílias.
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Segundo os advogados, informações repassadas pela Polícia Civil em coletiva de imprensa realizada no mesmo dia reforçam que não há vídeo ou imagens que comprovem o momento das agressões contra o animal. A defesa aponta que a delegada responsável pelo caso, Mardjoli Valcareggi, afirmou que esse tipo de registro “nunca existiu”, o que, segundo a defesa, contraria rumores de que um suposto vídeo teria sido apagado após coação para eliminação de provas.
A nota também destaca que os dois adolescentes defendidos por Kale e Duarte não aparecem em um vídeo que circula nas redes sociais mostrando um grupo de rapazes, material que, segundo os advogados, tem contribuído para a disseminação de desinformação, ameaças e ataques virtuais.
“A exposição irresponsável da identidade e da imagem dos jovens nas redes sociais – infringindo o que prevê o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) - assim como de suas famílias, exige que se reitere a necessidade de que se cumpram os ritos formais do processo pelas autoridades competentes, se analisem as evidências concretas para que, então, sejam declarados e punidos os culpados”, afirmam, em nota.
A defesa pede que, em nome das famílias, a apuração siga o devido processo legal até a identificação e responsabilização dos culpados. Os advogados reiteram ainda que seguem colaborando com as autoridades para o esclarecimento do caso, que classificam como “um triste episódio”.
O caso é investigado pela Polícia Civil de Santa Catarina, que apura o envolvimento de ao menos quatro adolescentes na agressão ao cão Orelha, considerado um mascote da Praia Brava. O animal foi encontrado gravemente ferido em uma área de mata, chegou a receber atendimento veterinário, mas não resistiu e passou por eutanásia. As investigações avançaram com a análise de imagens de câmeras de segurança e depoimentos de moradores da região.
Paralelamente, familiares de adolescentes investigados foram indiciados por coação no curso do processo. Mandados de busca e apreensão foram cumpridos, e celulares e aparelhos eletrônicos foram recolhidos para análise. A polícia afirma já ter ouvido mais de 20 pessoas e analisado centenas de horas de imagens relacionadas ao caso.
A repercussão do episódio também provocou uma onda de ameaças e ataques nas redes sociais contra pessoas confundidas com familiares dos suspeitos. Um casal de Santa Catarina chegou a registrar boletim de ocorrência após ter a imagem do filho, menor de idade, associada de forma equivocada ao caso. As autoridades reforçam que, por se tratar de investigação envolvendo adolescentes, a divulgação de nomes e imagens é proibida por lei.
