Defesa de brasileira presa na Tailândia recorre ao STF por apoio da embaixada

 

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A defesa da brasileira Mary Hellen Coelho Silva, de 25 anos, que está presa na Tailândia por tráfico de drogas, vai recorrer ao Supremo Tribunal Federal para conseguir ajuda da Embaixada do Brasil em Bangkok para soltá-la. Mary Hellen foi presa em 2022 pelo crime e, no ano passado, conseguiu o perdão real. A expectativa é que ela seja libertada até o fim do primeiro semestre deste ano.

Porém, para retornar ao país, Mary Hellen precisa de documentos válidos, como o passaporte, que foi suspenso quando ela foi presa e de outras assistências do Itamaraty.

Em entrevista à CBN, a advogada dela, Kaelly Cávoli, disse que tem feito pedidos reiterados à Embaixada para auxiliar a cliente, não só com os documentos, mas também com a contratação de um defensor local para acompanhar a execução da pena e providenciar a soltura, quando autorizada pela Justiça.

Mas, segundo ela, o Itamaraty tem sido evasivo no apoio. Dessa forma, a advogada diz que vai recorrer ao Supremo.

"A gente tentou o último contato com a Embaixada, eles já retornaram dia 3 de abril com a mesma posição. Então, nós vamos tentar agora um habeas corpus para que ele intervenha nessa questão da liberdade da Mary Hellen e o direito que ela tem de ser assistida por uma Embaixada e para que a família e a advogada recebam notícias, informações do processo para que a gente possa trabalhar no processo. O resultado esperado é que, no mínimo, a Embaixada forneça os documentos e outras informações que a Embaixada recebe do presídio."

A defensora também destacou que Mary Hellen tem enfrentado outros problemas na cadeia, como falta de acesso a itens básicos de higiene e restrição da possibilidade de falar com a advogada, que desde novembro não tem informações sobre ela.

Segundo Kaelly Cávoli, diante dessa situação, é obrigação da embaixada fornecer essas informações.

"A Embaixada tem na legislação e no escopo de obrigação dela fazer um relatório das condições físicas, pessoais de todos os detentos que estão ali. E que ela forneça essa informação tanto com a família, quanto também das condições pessoais da pena, qualquer previsão, se a Embaixada está fazendo os repasses do auxílio que vai para eles."

Em nota, o Itamaraty disse que a Embaixada do Brasil em Bangkok, "tem conhecimento do caso e presta assistência consular à nacional desde 2022, quando foi notificada a respeito". Disse, ainda, que foram feitas visitas consulares, concessão de pequenos auxílios materiais quando necessário e manutenção de contato direto e contínuo com as autoridades prisionais acerca da situação da brasileira.

Mary Hellen Coelho Silva é natural de Pouso Algre, no Sul de Minas Gerais, e foi presa em fevereiro de 2022 ao lado de outro brasileiro, transportando 9 kg de cocaína, escondidos em fundos falsos da mala. Ela se declarou culpada e foi sentenciada pela Justiça da Tailândia a 9 anos e seis meses de prisão.

À época a jovem disse que aceitou a proposta de levar a droga para o exterior para pagar o tratamento de saúde para a mãe, que estava com câncer. A mulher acabou morrendo enquanto a filha cumpria a pena.