Defesa alega ameaça e piloto Pedro Turra vai para cela individual

 

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Preso preventivamente por ter agredido um adolescente de 16 anos em Brasília, Pedro Arthur Turra Basso foi colocado em uma cela individual após sua defesa ter alegado que o suspeito sofreu ameaças. Segundo o advogado Daniel Kaefer, as ameaças teriam ocorrido na carceragem da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) e sido presenciadas por um agente público que teria dito ao preso a frase “você vai sangrar”. Ao GLOBO, a PCDF afirma que não houve qualquer ocorrência do tipo durante o período em que o Turra permaneceu sob custódia da corporação.

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Turra é investigado por ter agredido a vítima até deixá-la em coma após um traumatismo craniano severo. Segundo a Polícia Civil, a confusão começou após uma discussão por causa de um chiclete, jogado em tom de brincadeira na direção de um amigo da vítima, o que gerou provocações e, em seguida, agressões físicas.

Durante o confronto, o adolescente foi golpeado, caiu e bateu a cabeça contra a porta de um carro, sofrendo um traumatismo craniano severo. Ele também teve uma parada cardíaca e precisou ser reanimado após cerca de 12 minutos. O jovem segue internado em coma induzido, em estado gravíssimo, no Hospital Brasília de Águas Claras, sem previsão de alta.

Em entrevista coletiva, o delegado Pablo Aguiar, da 38ª Delegacia de Polícia, responsável pela investigação, afirmou que Pedro Arthur é um “sociopata sem condições de conviver em sociedade”. Segundo ele, a prisão preventiva se justifica pela gravidade do caso e pelo comportamento reiterado do investigado, apontando que as apurações indicaram um padrão de atuação em brigas.

— Frequentemente, ele se associa a amigos, possivelmente, para obter apoio durante os confrontos — afirmou o delegado.

Além do episódio mais recente, a Polícia Civil apura outros casos envolvendo o piloto, que é alvo de quatro denúncias, incluindo agressões anteriores e uma tentativa de oferecer bebida alcoólica a uma adolescente menor de idade. Duas dessas ocorrências só foram registradas após a repercussão do caso.

Segundo Kaefer, ao manter a prisão preventiva por não identificar ilegalidade no cumprimento do mandado, a juíza levou em conta o relato da defesa sobre as ameaças e determinou que Turra permanecesse em cela separada enquanto estiver sob responsabilidade da Polícia Civil.

O advogado ressaltou, no entanto, que a decisão judicial se limita ao período em que Turra permanece na carceragem da PCDF e que, em eventual transferência ao sistema prisional do Distrito Federal, a segurança do preso passará a ser responsabilidade da direção da unidade.

Kaefer afirmou ainda que, além da determinação de cela separada, não houve, até o momento, outras providências adotadas pelo Estado em relação às ameaças relatadas pela defesa.

O advogado disse que já foram protocoladas as medidas cabíveis previstas no Código de Processo Penal e na Constituição, e que aguarda decisões de magistrados e desembargadores sobre os pedidos apresentados.

Estado de saúde do adolescente agredido

Em resposta ao GLOBO, o advogado Albert Halex, que representa o adolescente de 16 anos vítima das agressões, afirmou que o jovem permanece internado em estado grave e que está em fase final de retirada do sedativo. Segundo ele, somente após esse procedimento será possível avaliar a resposta neurológica do paciente.

– A situação dele é de milagre. Só após a retirada do sedativo e do coma induzido é que teremos a resposta se ocorreu morte cerebral ou não – afirmou.