Defensores de integração latina, Lula e presidente do Panamá firmam acordos de cooperação

 

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Defensores de uma maior integração da América Latina, Brasil e Panamá firmaram quatro acordos de cooperação nesta quarta-feira após reunião bilateral na Cidade do Panamá. O principal acordo foi de facilitação de investimentos, mas também foi dado o pontapé inicial para discussão de um acordo comercial parcial entre os dois países, por meio da assinatura de um termo de referência.

Foram firmados firmado ainda um memorando de entendimento para cooperação em transporte marítimo, logística e sustentabilidade e um acordo de cooperação turística. Também foi discutida a conclusão do procedimento sanitário para a importação de carne bovina, suína e de aves do Brasil.

Os dois países vivem um momento inédito na relação bilateral. Os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e José Raúl Mulino já se reuniram seis vezes e o Panamá se associou ao Mercosul no fim do ano passado. Além disso, o intercâmbio comercial entre os dois países cresceu quase 80% em 2025, para US$ 1,6 bilhão.

Após a reunião, Lula voltou a cobrar maior cooperação dos países da América Latina. Em um contexto de crescimento da direita na região e de recrudescimento do unilateralismo no mundo, o presidente disse que os líderes precisam ser capazes de superar suas diferenças em prol de ganhos coletivos.

--- Precisamos ser capazes de superar diferenças ideológicas em prol dos ganhos coletivos. Desafios comuns, como o combate ao crime organizado transnacional, só podem ser enfrentados em cooperação internacional --- disse, afirmando que está confiante de que a América Latina e o Caribe são capazes de construir um projeto autônomo de inserção internacional.

Lula destacou que a América Latina detém ativos estratégicos para transição digital e energética, como amplo potencial energético, rica biodiversidade, água e recursos minerais abundantes, que podem reposicionar a região nas cadeias globais de valor.

--- Infraestruturas integradas geram benefícios econômicos para todos. Aumentar o comércio intrarregional fortalece cadeias produtivas e nos torna mais resilientes a choques externos.

Mulino também é um forte defensor do fortalecimento da integração latino-americana, sobretudo diante do enfraquecimento de órgãos multilaterais e de possíveis ameaças de outros países. O Panamá também vive sob a ameaça do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que já manifestou a intenção de retomar o poder sobre o Canal do Panamá. Nesta quarta-feira, Lula reforçou seu apoio à manutenção do canal logístico sob o domínio panamenho.

A reunião com Mulino foi o terceiro encontro bilateral que Lula teve durante sua visita ao Panamá. O petista chegou no fim da tarde desta terça-feira na Cidade do Panamá. Pouco depois, se reuniu com o presidente eleito do Chile, José Kast, em um encontro que durou cerca de 1 hora e meia. Kast é um líder da direita chilena e derrotou, em dezembro, a candidata do atual governo, Jeannette Jara.

Segundo o Palácio do Planalto, ambos reiteraram a importância de manter e aprofundar as relações bilaterais entre Brasil e Chile, destacando a disposição de ampliar a cooperação em áreas como infraestrutura, energia renovável, comércio e turismo. Na mesma linha, Kast disse que a relação dos dois países "transcende qualquer diferença política e ideológica".

Lula ainda se reuniu com o presidente da Bolívia, Rodrigo Paz. O Palácio do Planato afirmou que os presidentes discutiram as rotas para a integração sul-americana e alternativas para garantir o acesso da Bolívia a portos e ao escoamento de sua produção. Além disso, trataram da retomada dos diálogos na área energética e iniciativas conjuntas para combater o crime organizado na Amazônia. O presidente brasileiro ainda convidou Paz para uma visita de Estado neste primeiro semestre.