Decisão de Zanin revolta ministros do TSE: ‘Nunca viu uma urna ao vivo’

Decisão de Zanin revolta ministros do TSE: ‘Nunca viu uma urna ao vivo’ - Foto
Fonte da notícia: O Globo O Globo

A decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin Martins, de prorrogar por duas horas o tempo de votação em todo o território nacional, provocou revolta entre integrantes de diferentes alas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que estão reunidos neste domingo (25) para acompanhar in loco a apuração dos votos.

“Todos do TSE estão com muita raiva do Zanin, dizendo que ele não podia ter dado essa decisão com meia hora de votação”, disse ao blog um ministro que está acompanhando a apuração na sede do TSE. "A impressão é a de que Zanin nunca viu uma urna ao vivo, que ele não sabe que depois que ela emite o relatório de votação, é mecanicamente impossível reabrir a urna.”

Segundo relatos obtidos pela equipe da coluna, o clima geral no TSE é de apreensão, diante dos riscos de uma eventual contestação do resultado das urnas, com um “terceiro turno” nos tribunais. “Ninguém sabe o que vai acontecer.

Todos temem que quem perder questione o resultado”, diz um ministro. Conforme informou a equipe do blog, a decisão de Zanin, de prorrogar por duas horas o horário de votação em todo o país, atendendo a um pedido da campanha do presidente Lula, marca mais um atropelo do STF no TSE, além de reforçar a guerra entre as alas lulista e bolsonarista que atuam nas duas Cortes.

Indicado ao cargo pelo presidente Lula neste terceiro mandato, Zanin assinou a decisão a poucos minutos do fim da votação, diante da inércia do presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, que havia sinalizado nos bastidores que não faria nenhuma intervenção na votação, programada para ocorrer das 8h às 17h em todo o país, seguindo o horário de Brasília.

No TSE era consensual a posição de que o horário de votação não deveria ser estendido, mas Kassio Nunes Marques preferiu não decidir nada. Com a omissão da Corte Eleitoral, o PT recorreu ao STF, provocando a crise que temos agora.

Apesar da ordem de Zanin, muitas seções eleitorais já haviam desligado as urnas quando foram comunicadas da decisão do ministro, o que mergulhou o segundo turno da eleição num cenário de incertezas, pavimentando o caminho para possíveis contestações judiciais – e um terceiro turno na Justiça, com o lado perdedor questionando o resultado.

Após a primeira decisão, Zanin divulgou um novo despacho: informou que a votação deveria prosseguir onde as urnas não haviam sido desligadas, ou seja, restringindo o cumprimento de sua ordem aos locais que as urnas não haviam sido fechadas. Nunes Marques e Zanin fazem parte de grupos opostos.

O presidente do TSE, ao lado do vice-presidente da Corte Eleitoral, André Mendonça, são expoentes da ala bolsonarista do STF e da Corte Eleitoral, fazendo jornada dupla nos dois tribunais. Já Zanin integra o grupo lulista do Supremo, formado pelos ministros Gilmar Mendes, Flávio Dino e Alexandre de Moraes – nenhum deles faz parte da composição titular do Tribunal Superior Eleitoral.

O impasse, que deixou eleitores e até mesmo funcionários da Justiça Eleitoral confusos em todo o país após o horário de encerramento inicialmente previsto, coroa um processo que se estendeu ao longo de todo o ano.

Publicação Original O Globo oglobo.globo.com
Acessar no site oficial
Compartilhar: WhatsApp Facebook Telegram X
Curadoria e Apuração Editorial QTU Conteúdo jornalístico publicado em conformidade com os nossos Princípios Editoriais e política de transparência.
Conhecer a Redação →