Decisão da Suprema Corte de barrar tarifaço de Trump e reacende disputa institucional nos EUA, diz professora da ESPM

 

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A Suprema Corte dos Estados Unidos decidiu nesta sexta-feira (20) que Donald Trump extrapolou sua autoridade ao impor tarifas amplas sobre importações de diversos parceiros comerciais, incluindo o Brasil. Para a professora Denilde Holzhacker (ESPM), o resultado surpreende por vir de uma maioria conservadora, recoloca o Congresso no centro da política tarifária e pode complicar o jogo político num ano de eleições legislativas.

Ela destacou o recado institucional do julgamento: ao recolocar o Congresso no centro, a Corte sinaliza que ainda há freios contra 'rompantes centralizadores' e que isso pode piorar o ambiente político para Trump num ano de eleições legislativas, quando cresce o custo eleitoral de impactos econômicos nas bases regionais.

'Também muda o jogo político num ano que vai ser um ano de eleição para o legislativo, então o cenário fica mais complexo e mais difícil para o próprio Trump.'

Para o Brasil, Holzhacker afirmou que a decisão tende a ser relevante para setores exportadores e para a negociação diplomática, porque abre caminho para questionamentos também dentro do sistema jurídico americano.

O governo Trump já havia recuado de parte das tarifas sobre produtos brasileiros, como café e carne, por ordem executiva em novembro, mas a avaliação é que o presidente pode tentar outros instrumentos legais para preservar parte do pacote.

'Então continua uma pressão, provavelmente o Trump vai buscar outros mecanismos, mas já é um bom sinal para os setores exportadores.'

Ouça a entrevista completa: