Decepção, pedido de telefonema e choro: como Robinho reagiu na prisão à agressão de Neymar contra o filho

 

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Condenado a nove anos de prisão por estupro, o ex-jogador Robinho reagiu com profunda contrariedade no Centro de Ressocialização de Limeira, onde cumpre pena, ao saber que seu filho, o atacante Robinho Jr., foi alvo de uma agressão desferida por Neymar durante um treino do Santos. Fontes do sistema prisional contam que o detento, que jogou pelo mesmo clube paulista ao lado de Neymar, com quem mantém relação de amizade, chegou a chorar ao tomar conhecimento do episódio.

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A notícia sobre o caso chegou a Robinho por meio de um funcionário da própria penitenciária. Segundo esses relatos, o ex-jogador ficou visivelmente abalado, solicitando de imediato uma ligação à família e aos advogados, o que não foi permitido de pronto pela direção da unidade. Diante da negativa, ele também demandou a visita de um dos defensores, mais uma vez sem sucesso. 

Ainda de acordo com essas fontes, Robinho teria, então, caído em lágrimas. A avaliação é que o episódio agravou o estado emocional do detento, que já vinha apresentando dificuldades de adaptação à nova unidade prisional, após ser transferido de Tremembé recentemente. Procurado, o advogado de Robinho, Anderson Luna, não negou o episódio, mas informou que só se manifestará oficialmente hoje.

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O atrito envolvendo Neymar e Robinho Jr. ocorreu no último domingo, no CT Rei Pelé, em uma atividade de campo reduzido marcada por forte competitividade. Segundo relatos, a tensão começou após uma jogada em que o jovem de 18 anos levou vantagem sobre o camisa 10, o que teria provocado uma reação irritada.

A partir daí, houve discussão, troca de provocações e um contato físico cuja versão varia conforme quem conta, indo de empurrões e rasteira a um possível tapa. O próprio Neymar reconheceu ter passado do ponto e pediu desculpas ainda no centro de treinamento, enquanto o clube abriu uma apuração interna para esclarecer o que de fato aconteceu.

Há cerca de um ano, quando Neymar anunciou o retorno ao Santos, Robinho Jr., à época nas divisões de base do clube, demonstrou animação nas redes sociais. "Hoje, nação Santista, nosso sonho se tornou realidade. Depois de tanto tempo de espera, o Neymar voltou para casa", escreveu. O craque respondeu em tom de promessa, lembrando o momento no qual ele próprio chegou à equipe profissional, em 2010: “Teu pai cuidou de mim e eu cuidarei de você”.

Naquele momento, Neymar era o jovem em ascensão que via no companheiro mais experiente um ídolo dentro e fora de campo, algo que ele próprio reconheceu anos depois ao afirmar que observava tudo o que Robinho fazia, principalmente na condução da carreira. Essa admiração evoluiu para uma relação de proximidade que se estendeu com o passar do tempo e ganhou novos contornos quando o filho do ex-jogador começou a despontar nas categorias de base do clube.

Nos bastidores, havia ainda a expectativa de que Neymar visitasse o amigo na prisão, o que nunca aconteceu, alimentando frustração e comentários sobre a real dimensão dessa amizade. Até novembro de 2025, Robinho estava custodiado na Penitenciária II de Tremembé, conhecida por abrigar presos envolvidos em crimes de grande repercussão, muitos deles condenados por homicídios contra membros da própria família e estupros. Nesse ambiente, ele era frequentemente abordado por outros detentos interessados em ouvir histórias sobre a convivência com Neymar e os meandros do futebol.

As conversas se repetiam ao longo dos dias, com o ex-jogador relembrando passagens da carreira e a relação com o antigo companheiro de Santos. Entre esses presos estava o hacker Walter Delgatti Neto, condenado por invadir sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e forjar documentos oficiais, crime que o levou à prisão após investigações conduzidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Durante o período em que esteve na unidade, Delgatti chegou a ironizar a proximidade entre Robinho e Neymar, sugerindo que ela não era tão sólida quanto parecia, já que o atacante jamais figurou no rol de visitas do ex-jogador.

Sindicância interna

No Santos, a repercussão do caso ampliou a tensão interna. A família de Robinho Jr. solicitou acesso às imagens do treino para entender com precisão o que ocorreu, enquanto o estafe do jogador encaminhou uma notificação extrajudicial ao clube cobrando providências e formalizando a acusação de agressão. A iniciativa foi mal recebida por parte do elenco, que viu o movimento como uma quebra do código informal de que problemas de vestiário devem ser resolvidos internamente. Paralelamente, o clube instaurou uma sindicância para apurar os fatos.

A apuração do episódio esbarra em versões conflitantes sobre o que de fato aconteceu no treino. Em uma delas, mais branda, Neymar teria apenas se exaltado após ser driblado, iniciando uma discussão com o jovem e chegando a empurrá-lo durante o bate-boca, em um contexto considerado comum de treino competitivo. Já em outra versão, mais grave, o atacante teria dado um tapa e aplicado uma rasteira em Robinho Jr., o que reforça a tese de agressão sustentada pela equipe do jogador.

É a partir dessa divergência que o caso ganha contornos jurídicos. A notificação extrajudicial enviada ao Santos abre caminho para possíveis medidas legais e até a um pedido de rescisão unilateral de contrato, dependendo da interpretação das imagens e da conclusão da investigação interna. 

O caso que levou Robinho à prisão remonta a 2013, quando ele foi acusado de participar de um estupro coletivo contra uma mulher albanesa em uma boate de Milão, na Itália. Julgado e condenado pela Justiça do país europeu, ele teve a sentença definitiva confirmada em 2022, mas não chegou a cumprir pena em solo italiano por ter retornado ao Brasil.

Como a Constituição brasileira não permite a extradição de cidadãos natos, a Itália solicitou o cumprimento da pena em território nacional, o que foi homologado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em 2024. Desde então, o ex-jogador está preso em regime fechado.