Na contramão dos prognósticos, o debate de ontem na TV Globo, entre os oponentes que se enfrentam amanhã nas urnas, não atingiu o ponto de fervura capaz de mudar opiniões. É certo que a série de ‘perguntas simples’ dirigidas pelo presidente Lula ao adversário Flávio Bolsonaro contribuiu para animar a performance televisiva do candidato do PL, mas nem por isso o personagem de extrema-direita conseguiu transmitir credibilidade para afiançar suas promessas.
Flávio disse que não cortará programas sociais, afirmou que irá reajustar as aposentadorias acima da inflação e garantiu até mesmo a construção de uma autoestrada litorânea entre Salvador (BA) e São Luís (MA), separadas por 1.590 quilômetros. “Acredite se quiser”, disparou Lula.
“Ele mente, mente e mente”. Cada acusação correspondeu, de ambos os lados, a uma réplica no mesmo naipe.
Apesar da separação por temas, o modelo acabou por repetir, em boa parte, o chumbo trocado que já se vira, no começo da semana, no debate da Band. Flávio atribuiu ao pai, Jair Bolsonaro, realizações como a transposição de águas rio São Francisco, que ‘todos sabem’, segundo Lula, ter sido feita em sua segunda gestão.
“Você copia tudo”, disparou o candidato à reeleição. Ao Boa Noite 247, antes do debate, o comentarista e ex-diretor do Datafolha Mauro Paulino afirmou que Lula experimenta, nos últimos dias, “uma tendência de ultrapassagem” sobre o adversário.
“Resta saber se há tempo de isso se confirmar”, indicou, ressalvando que já viu “várias eleições” acirradas serem decididas apenas na hora do voto. O estatístico esmiuçou detalhes das pesquisas mais recentes, do Datafolha e do instituto Quaest, apontando queda de Flávio nas preferências dos eleitores jovens, na baixa renda e entre os idosos.
As grandes incógnitas estão na redução no número de abstenções em relação ao primeiro turno e na escolha da maioria da classe média. Segundo Paulino, o candidato bolsonarista leva vantagem nas regiões Sul e Sudeste, enquanto Lula experimenta uma forte alta no eleitorado do Nordeste.
“A apuração vai começar com Flávio na frente, e depois Lula tende a encostar, à medida em que forem contados os votos do Nordeste”, projetou. A emoção deve perdurar até os momentos finais da apuração.
Hoje, no período da tarde, os dois institutos divulgam seus últimos levantamentos antes da ida às urnas. Para Paulino, a chance de Lula vencer amanhã está associada a abrir, em ao menos uma dessas pesquisas, pelo menos dois pontos percentuais sobre Flávio.
A sorte está lançada.
Brasil 247