O caso da menina Ana Clara, de cinco anos, e a discussão sobre a expressão “nove dedos”, usada por Flávio Bolsonaro (PL) para se referir ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), concentraram parte importante da repercussão nas redes sociais do último debate presidencial antes do segundo turno, realizado na noite de sexta-feira, na TV Globo.
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Os dois episódios foram destacados pelos relatórios do Instituto Democracia em Xeque e da Bites, divulgados neste sábado, que, apesar de identificarem os mesmos temas entre os mais relevantes da conversa digital, chegaram a avaliações diferentes sobre o saldo do confronto: enquanto o primeiro aponta uma vitória de Lula na disputa pelas narrativas nas redes, o segundo registra um "empate técnico no placar digital e uma assimetria nas narrativas".
A análise da Bites também identificou um segundo fator de grande repercussão: a declaração de Lula de que iria “acabar com a polícia”, cujo trecho foi amplamente compartilhado por aliados do senador. Democracia em Xeque vê vantagem de Lula nas redes
O relatório do Instituto Democracia em Xeque registrou 2,9 milhões de publicações e 25,5 milhões de interações relacionadas ao debate entre a noite de sexta-feira e as 9h de sábado, segundo dados da plataforma Talkwalker. O caso Ana Clara foi o tema de maior repercussão, com 401,3 mil publicações e 4,9 milhões de interações.
Na sequência, apareceram o debate sobre Bolsa Família e salário mínimo, com 316,6 mil publicações e 2,5 milhões de interações, e a discussão sobre os “nove dedos”, que reuniu 280,9 mil publicações e 3,5 milhões de interações. A reação de Cristiane, mãe de Ana Clara, durante a resposta de Flávio sobre sua atuação como advogado do policial acusado de matar a menina, foi a publicação de maior engajamento do debate no recorte analisado.
O post do perfil do Jornal O Globo com a cena registrou mais de 509 mil interações. Segundo o relatório, predominaram as críticas ao senador pela defesa do policial, enquanto a resposta de Lula à provocação sobre sua condição física também mobilizou acusações de capacitismo contra Flávio.
A repercussão desses episódios levou o instituto a apontar vantagem do presidente na disputa digital. As hashtags mais recorrentes incluíram manifestações de apoio a Lula, como #LulaNaGlobo e #LulaVaiVirar, e cobranças ao adversário, como #ExplicaAlgumaCoisaFlavio e #FlavioDefensorDeAssassino.
O termo “miliciano”, usado por Lula para se referir a Flávio, apareceu em 16% das publicações, segundo o levantamento. O estudo também identificou diferenças na estratégia dos grupos políticos.
A esquerda respondeu por 45% das publicações analisadas, ante 43% da extrema-direita e 12% da imprensa. No recorte de alcance, porém, a extrema-direita ficou à frente, com 46%, seguida pela esquerda, com 39%, e pela imprensa, com 15%.
Para o instituto, a vantagem de Lula na conversa digital se explica pela predominância de conteúdos críticos ao senador nos temas de maior repercussão e pela mobilização de apoiadores em torno da reta final da campanha. Bites identifica empate e destaca vídeo de Nikolas
A análise da Bites também identificou o caso Ana Clara como um dos principais assuntos do debate, mas destacou a declaração de Lula sobre “acabar com a polícia” como outro foco de grande repercussão. Até as 11h de sábado, o levantamento contabilizava 1,5 milhão de citações ao confronto nas redes sociais.
Desse total, 257 mil publicações tratavam de Ana Clara e 194 mil se referiam à fala do presidente. A expressão “nove dedos” apareceu em 75 mil publicações, abaixo dos dois temas.
No levantamento sobre quem venceu o debate, as manifestações favoráveis a Flávio somaram 440 mil publicações, enquanto as que apontavam Lula como vencedor chegaram a 416 mil. Outras 69 mil publicações classificaram o confronto como empate.
A Bites descreveu o resultado como um empate técnico no placar digital, embora com vantagem numérica para o senador. O relatório também destacou o alcance de um vídeo publicado pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), com o trecho em que Lula afirma que irá “acabar com a polícia”.
Até as 12h de sábado, a publicação acumulava 67,3 milhões de visualizações no Instagram. Segundo a Bites, Nikolas ganhou protagonismo na mobilização digital da campanha de Flávio na reta final, em um momento de desaceleração da atuação do próprio candidato nas redes.
Entre segunda-feira e sábado, Lula somou 92 milhões de interações em seus perfis oficiais no X, YouTube, TikTok, Instagram e Facebook. Flávio registrou 24,6 milhões, enquanto Nikolas alcançou 65 milhões e o deputado André Janones (Avante-MG), apoiador do presidente, chegou a 40,5 milhões.
Para a Bites, o saldo do debate foi marcado por uma assimetria: embora o caso Ana Clara tenha sido o tema mais citado, o erro de Lula sobre a polícia se transformou em um dos cortes de maior alcance, impulsionado pela atuação digital de Nikolas.
O Globo