Debate Band Rio: sem Eduardo Paes, ex-prefeito vira alvo de Ruas, que tenta se descolar de Castro e Bacellar; acompanhe

Debate Band Rio: sem Eduardo Paes, 
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Fonte da notícia: O Globo O Globo

O ex-prefeito do Rio de Janeiro Eduardo Paes (PSD) foi um dos principais alvos dos quatro candidatos ao governo do estado presentes no primeiro debate ao governo do estado, realizado neste domingo pela TV Band. Líder nas pesquisas, ele desistiu de comparecer ao encontro. Participam o deputado estadual Douglas Ruas (PL), o ex-governador Anthony Garotinho, o vereador pelo Rio William Siri (PSOL) e o humorista André Marinho (Novo).

Presidente da Alerj e candidato do PL no Rio, Douglas Ruas tentou se desvencilhar do ex-governador Cláudio Castro e também do ex-presidente da Casa fluminense, Rodrigo Bacellar (União Brasil), que está preso.

No primeiro embate entre os candidatos, entre William Siri e Ruas, o psolista afirmou que os aliados do candidato governam o estado "há muito tempo", e o chamou de "pupilo" de Bacellar. Ao rebater, o deputado do PL disse ter "identidade própria", e alegou "nunca" ter escolhido "chefe", mas "missão".

— Você (Douglas Ruas) disse que seu sonho era ver Rodrigo Bacellar governador. Se nós não tivéssemos uma operação da PF colocando Bacellar na cadeia, ele seria o governador. Isso indica que o Comando Vermelho seria o governador — atacou Siri.

O presidente da Alerj reagiu afirmando que o PSOL era um "grande aliado" de Bacellar. Ao rebater, Siri questionou sobre o voto de Ruas na Alerj após a prisão de Bacellar, que negou estar na Casa no dia da votação.

Em outro momento do primeiro bloco, Ruas tentou associar Paes com falas de desrespeito às mulheres. Ele citou uma piada de cunho sexual feita pelo ex-prefeito carioca em 2016, que viralizou à época. O candidato do PL lembrou também de uma servidora destratada em agenda pública. A ex-subprefeita de Jacarepaguá pediu demissão após o caso.

— Não sei se o Paes sabe, mas existe violência psicológica e que causa tanta sofrimento quanto a agressão física — declarou Ruas.

André Marinho também alfinetou o candidato do PSD por descumprir a promessa feita na última campanha, em 2024, de que não abandonaria a prefeitura para concorrer ao governo do Rio. O político do PL também citou o aliado de Eduardo Paes, Pedro Paulo (PSD), que chegou a ser acusado de agredir a ex-mulher. O caso foi arquivado pela Justiça em 2016.

Promessa de Garotinho antes mesmo do início do debate, o ex-governador falou de Segurança Pública e alfinetou todos os presentes que "ninguém entende nada" do tema. Garotinho citou o presidente de El Salvador, Nayib Bukele, como "modelo" a ser seguido na área, defendendo que "as gangues (do país) praticamente acabaram".

A ausência de conclusão do mandato dos quatro últimos governadores do Rio e a promessa de garantia foi o primeiro questionamento aos participantes. Garotinho, que chegou a ser preso duas vezes, além de ter uma candidatura indeferida, foi o primeiro a responder sobre o tema. O nome do Republicanos defendeu que o Rio vive uma "bagunça" nos últimos 20 anos devido aos governos de Sérgio Cabral, Luiz Fernando Pezão e Cláudio Castro. Em sua fala, ele defendeu seu legado à frente do Estado, se colocando como nome para evitar "desastre maior". Garotinho alfinetou os adversários, sem citar nomes.

— Duas candidaturas defendem uma das três organizações criminosas do estado. O estado tem o tráfico, a milícia e a Alerj: três organizações criminosas infestadas de bandidos. Um é amigo da Lucinha, da milícia. Outro é amigo do Bacellar, do Comando Vermelho. A população me escolheu para colocar essas pessoas na cadeia — atacou Garotinho. Lucinha é deputada estadual pelo PSD, partido de Paes. Em julho, o partido decidiu barrar sua candidatura à reeleição temendo desgaste eleitoral. A parlamentar é investigada sob suspeita de integrar o núcleo político da milícia comandada por Luís Antônio da Silva Braga, o Zinho, apontada como uma das maiores organizações criminosas do Rio. Já Bacellar é ex-presidente da Alerj e chegou a ser o nome do PL, partido de Douglas Ruas, para a disputa ao Palácio Guanabara.

Os outros candidatos aproveitaram a pergunta para se apresentar ao público. Ruas tentou se desvincular do ex-governador Cláudio Castro (PL), e citou ser filho de Capitão Nelson, ex-prefeito de São Gonçalo.

André Marinho, do Novo, alfinetou Paes pela ausência, que "aqui não se faz presente", e pregou "mais respeito e menos esculacho".

Funcionamento do debate A primeira rodada será de perguntas temáticas feitas pelos mediadores, com confronto direto entre os debatedores e rodadas de questionamentos conduzidas por jornalistas. Todos os candidatos responderão as questões temáticas, e cada participante terá dois minutos para a resposta.

Nas rodadas de perguntas feitas por jornalistas e nos confrontos diretos, os questionamentos têm duração de um minuto. O candidato que responde ganha quatro minutos para administrar livremente entre a sua resposta e a tréplica.

Ironia de Garotinho e comboio de Ruas Antes do debate, Garotinho disse que pretende questionar os outros candidatos sobre Segurança Pública, e que apresentará a sua proposta. Ele também lamentou a ausência de Paes, e disse que, caso o ex-prefeito fosse, questionaria a declaração de patrimônio do candidato do PSD de R$ 180 mil na prestação de contas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

— Se ele não quis enfrentar o Garotinho, não é capaz de enfrentar o crime organizado no Rio — alfinetou.

Ao ser questionado sobre o pedido do Ministério Público do Rio de executar e condenar Garotinho por improbidade administrativa, o ex-governador afirmou que isso é "caso superado" e "mais um desespero" dos adversários. Atual presidente da Alerj, Douglas Ruas tentou se desvinculhar do ex-governador Claudio Castro, de quem já foi secretário de Cidades, e disse que "nunca escolhe chefe, escolheu missão". Ao falar do governador Ricardo Couto, citou uma relação "institucional e republicana" com ele, e que elogiou a redução da "máquina pública".

Já André Marinho disse que se propõe a ser "sangue-novo" para derrotar os "sanguessugas" da política. Ao ser questionado sobre a falta de experiência para governar o estado do Rio, ele lembrou do presidente da Ucrânia Volodymyr Zelensky, que era comediante antes da presidência e que virou "comandante" de um país.

William Siri disse ser o único candidato de esquerda dentre os participantes, e citou o atual governador Ricardo Couto para dizer que o seu partido, PSOL, deseja valorizar o servidor público. Ele destacou Educação como tema mais importante. Apoiadores de Douglas Ruas na porta da Casa Firjan, onde é realizado o debate da band ao governo do Rio Rafaela Gama A candidatura de Ruas reuniu, antes do início do debate, um grupo de mulheres apoiadoras do lado de fora da Casa Firjan. O grupo reúne mulheres de São Gonçalo, reduto eleitoral do atual presidente do Alerj, do seu pai, o ex-prefeito Capitão Nelson, e de Niterói, cidade da vice escolhida para a chapa, da vereadora Fernanda Louback (PL-RJ).

Ao GLOBO, integrantes relataram ter vindo ao local em duas vans, em uma caravana organizada pela vereadora de São Gonçalo Patrícia Silva (PL-RJ), que usa um boné rosa com os dizeres “Estou com Douglas Ruas”. A organizadora conta que é responsável pela interlocução da campanha de Ruas com as mulheres, com participação nas propostas descritas no plano de governo do candidato para o público feminino. O grupo também declarou à Fernanda e ao deputado federal Carlos Jordy (PL-RJ), escolhido como candidato ao Senado na chapa de Ruas. Em menor quantidade, apoiadores do Psol também se reuniram na porta e levantaram bandeiras do partido em apoio a William Siri.

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