O que Xuxa Meneghel, Yasmin Brunet, Luisa Mell, Billie Eilish e Natalie Portman têm em comum? Todas já declararam publicamente sua adesão ao veganismo, movimento que vai além de retirar a carne do prato e envolve uma preocupação com o bem-estar animal, o meio ambiente e os hábitos de consumo.
Entre atrizes, cantoras e influenciadoras, a alimentação vegetal ganhou visibilidade e passou a despertar a curiosidade de quem deseja experimentar uma rotina diferente. Com o Dia Mundial do Veganismo, celebrado amanhã, dia 1, a discussão ganha ainda mais espaço.
Mas, por trás das receitas coloridas e dos pratos compartilhados nas redes sociais, surgem dúvidas importantes: é possível viver sem consumir alimentos de origem animal? A dieta oferece proteínas suficientes? Existe risco de anemia ou deficiência de vitaminas? No Brasil, Xuxa é uma das principais vozes associadas ao movimento.
A apresentadora, que deixou de consumir carne ainda jovem, adotou uma alimentação totalmente vegetal e com proteínas sem nenhuma origem animal em 2018, passando a falar publicamente sobre a relação entre suas escolhas alimentares e a defesa dos animais. Em entrevistas, ela também compartilhou como a mudança despertou seu interesse pela culinária e por novas receitas.
Xuxa está prestes a começar a turnê "O Último Voo da Nave" Reprodução/Instagram
Yasmin Brunet é outro nome conhecido pela defesa da causa animal. A modelo já contou que abandonou o consumo de carne e, posteriormente, adotou o veganismo, utilizando as redes sociais para compartilhar informações sobre alimentação e consumo consciente.
Sua influência também ajudou a levar o assunto para um público interessado em beleza, comportamento e qualidade de vida. A ativista Luisa Mell, por sua vez, construiu parte de sua trajetória pública em torno da proteção dos animais.
Defensora do veganismo, ela frequentemente associa a escolha alimentar à preocupação com a exploração animal. A cantora Wanessa Camargo também já falou sobre sua adesão à alimentação vegana, assunto que ganhou repercussão durante sua participação no Big Brother Brasil 24.
Fora do Brasil, Billie Eilish representa uma geração que relaciona alimentação, sustentabilidade e ativismo. Vegana desde a adolescência, a cantora utiliza sua visibilidade para incentivar reflexões sobre o consumo de produtos de origem animal.
Natalie Portman também é uma defensora conhecida do movimento e já participou de projetos audiovisuais dedicados à discussão sobre a indústria alimentícia. Billie Eilish no Grammy 2025
Frazer Harrison/Getty Images/AFP Apesar da influência dessas personalidades, a nutricionista Laíta Babio, do Espaço Hi, spa urbano localizado na Mooca, em São Paulo, explica que uma alimentação vegana saudável depende de planejamento, e não apenas da exclusão de carnes, ovos e laticínios.
“Não é a ausência de carne que determina se uma alimentação é saudável ou não. O que importa é a composição do cardápio.
Uma pessoa pode ser vegana e consumir uma grande variedade de alimentos nutritivos, assim como pode seguir uma dieta baseada em ultraprocessados e apresentar carências. O acompanhamento nutricional ajuda a garantir que as necessidades do organismo sejam atendidas”, diz a especialista.
Uma das principais preocupações de quem pensa em adotar o veganismo é a ingestão de proteínas. Embora carnes, ovos e laticínios sejam fontes conhecidas do nutriente, alimentos como feijão, lentilha, grão-de-bico, ervilha, tofu e outros derivados da soja também podem contribuir para atender às necessidades diárias do organismo.
“Existe uma ideia equivocada de que a proteína vegetal é insuficiente. Na realidade, quando existe variedade alimentar e consumo adequado de calorias, é possível atender às necessidades proteicas.
A soja e seus derivados são opções interessantes, assim como a combinação de diferentes leguminosas e cereais ao longo do dia. O mais importante é observar a quantidade total de proteína e a qualidade da alimentação”, orienta Laíta.
Yasmin Brunet Divulgação TV Globo
Outro ponto que merece atenção é a vitamina B12. Diferentemente de outros nutrientes, ela não está naturalmente disponível em quantidades confiáveis nos alimentos vegetais não fortificados.
Por isso, pessoas que seguem uma alimentação vegana precisam garantir sua ingestão por meio de suplementação ou alimentos fortificados adequados, com orientação profissional. “A vitamina B12 merece atenção especial porque sua deficiência pode levar algum tempo para apresentar sintomas, mas provocar consequências importantes.
Não é seguro confiar apenas em algas, cogumelos ou outros vegetais como fontes dessa vitamina. A estratégia de reposição e o acompanhamento devem ser individualizados, considerando a alimentação, o histórico clínico e os exames quando indicados”, destaca a nutricionista.
A associação entre veganismo e emagrecimento também costuma gerar confusão. Embora uma alimentação rica em frutas, verduras, legumes e fibras possa favorecer a saciedade, abandonar os alimentos de origem animal não significa necessariamente perder peso.
Produtos ultraprocessados, doces e frituras também podem ser veganos, o que reforça a importância da qualidade nutricional das escolhas. “O veganismo não deve ser confundido com uma dieta de emagrecimento.
É possível ganhar, perder ou manter peso seguindo uma alimentação vegana. O resultado depende das escolhas alimentares e das necessidades de cada pessoa.
Para quem deseja emagrecer, o foco deve continuar sendo uma alimentação equilibrada, com boa distribuição de nutrientes e uma estratégia sustentável a longo prazo”, explica Laíta. Mais do que reproduzir o cardápio de uma celebridade, o ideal é compreender as necessidades do próprio organismo.
A alimentação vegetal pode fazer parte de uma rotina equilibrada, mas requer atenção à ingestão de ferro, cálcio, iodo, zinco, ômega-3 e vitamina D, além da vitamina B12. As necessidades variam conforme a idade, as condições de saúde e o estilo de vida.
“Uma alimentação saudável precisa ser possível dentro da realidade de cada pessoa. O veganismo pode ser uma escolha viável, mas exige conhecimento e planejamento, principalmente em relação à vitamina B12.
Mais importante do que seguir uma tendência é construir uma rotina alimentar que respeite as necessidades do organismo e possa ser mantida com equilíbrio”, conclui a nutricionista.
O Globo