De Terra Roxa ao Impa: ouro em olimpíada de matemática, jovem conquista bolsa integral em prestigiado instituto

De Terra Roxa ao Impa: ouro em olimpíada de matemática, jovem conquista bolsa integral em prestigiado instituto

Fonte: Bandeira



De Terra Roxa, no interior do Paraná, para uma das mais prestigiadas instituições de ensino superior em Matemática do país, o estudante Lourenzo Francisco Balonekr, de 18 anos, será um dos 684 medalhistas de ouro homenageados nesta segunda-feira (22), na cerimônia nacional da Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP), no Rio de Janeiro. A medalha reconhece o desempenho obtido na edição do ano passado, quando ele ainda cursava o 3º ano do ensino médio. O resultado na olimpíada foi decisivo para uma mudança concreta em sua vida acadêmica: hoje, Lourenzo estuda Matemática no Impa Tech, graduação do Instituto de Matemática Pura e Aplicada (Impa), responsável pela OBMEP, após conquistar uma bolsa que lhe garantiu a possibilidade de se mudar para o Rio de Janeiro.

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A trajetória do estudante foi construída ao longo de anos de participação na OBMEP, da qual ele faz parte desde o 6º ano do ensino fundamental. Ao todo, já acumula três medalhas de ouro e uma de prata na competição, que é considerada a maior olimpíada científica do país. O desempenho ao longo dos anos também lhe assegurou apoio financeiro para permanência na capital fluminense, incluindo auxílios para moradia e alimentação.

— Vim de uma cidade pequena e ouvimos muito por lá que a educação não nos levará longe. Não sei ainda aonde quero chegar. Quanto mais alto melhor. Devo seguir a área de exatas, da matemática — declarou pouco antes da cerimônia.

Antes da primeira participação na olimpíada, Lourenzo conta que tinha dificuldade com a disciplina, mas o contato contínuo com os desafios propostos pela OBMEP mudou sua relação com a matemática e impulsionou sua evolução acadêmica:

— "Bom" é uma palavra forte para descrever meu desempenho na matemática anteriormente. Mas fui evoluindo com muito estudo. A OBMEP faz com que a gente deixe de ver a matemática só como uma arte de decorar fórmulas. Nos oferece um rigor que não é visto normalmente nas escolas.

A mudança para o Rio de Janeiro também trouxe uma nova rotina e o desafio de viver longe da família, experiência que ele diz equilibrar com foco nos estudos e adaptação à vida universitária.

— Sou um pouco "filhinho de mamãe". Sempre mando mensagem para a minha família dizendo que estou com saudades. Estou adorando minha rotina de estudos no Rio, mas também não vejo a hora de chegarem as férias e poder reencontrá-los.

Rafaela Gaio Dorigon, de 13 anos, também levou ouro

Luis Felipe Azevedo

No caso de Rafaela Gaio Dorigon, de 13 anos, o incentivo para participar da OBMEP veio de dentro de casa. Ela contou com o apoio do irmão mais velho para participar da olimpíada e hoje a gaúcha celebra a medalha de ouro:

— As olimpíadas me fizeram enxergar o estudo de uma forma diferente. Antes via como uma punição, e hoje sinto que é algo muito legal.

A cerimônia desta segunda-feira, com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, marca os 20 anos da OBMEP, iniciativa promovida pelo Impa com apoio dos ministérios da Educação e da Ciência, Tecnologia e Inovação, e que reúne mais de 18,3 milhões de estudantes em todo o país. Entre os 684 medalhistas de ouro desta edição, histórias como a de Lourenzo reforçam o papel da olimpíada como porta de entrada para oportunidades acadêmicas e para o ensino superior em instituições de excelência.