De Spence a Luca Zidane: por que alguns jogadores de futebol usam máscaras

De Spence a Luca Zidane: por que alguns jogadores de futebol usam máscaras

Fonte: Bandeira



O jogador Djed Spence pode chamar atenção no jogo da Inglaterra contra o México por entrar em campo mascarado.

Essa não seria a única vez na temporada que um jogador usa o acessório em campo.

Luka Modric, meia croata, entrou em campo utilizando uma máscara facial preta em um amistoso contra a Bélgica às vésperas da copa.

Já Luca Zidane, filho de Zinedine Zidane e goleiro da Argélia, fez sua primeira partida após ter sofrido uma fratura no rosto no fim de abril, também usando a máscara.


Spence foi convocado por Thomas Tuchel para o mundial mesmo com uma fratura na mandíbula, condição que o fará entrar em campo sempre usando uma máscara protetora na região.

Ele evitou uma cirurgia e recebeu autorização médica para continuar jogando desde que utilizasse uma máscara de proteção.

Feitas de materiais leves como fibra de carbono ou termoplásticos, acolchoadas por dentro e com moldes personalizados para cada jogador, as máscaras servem para mitigar os impactos que os jogadores sofrem durante as partidas e acelerar a volta ao campo.

É o que explica Everton Crivoi, responsável pela equipe de preparação física no Espaço Einstein de Saúde e Esporte e da CRV Sport Science.


“Geralmente elas são usadas em casos de lesão ou cirurgia quando é preciso proteger a área.

Fraturas de nariz, que são bem comuns, outras como a do osso zigomático.

Também podem ser usadas no caso de cirurgias faciais ainda recentes, como correção maxilar, ou que cause algum choque”, explica Crivoi.


O caso do meia Luka Modrić se enquadra na descrição.

Ele passou por uma cirurgia no mês de abril após sofrer uma dupla fratura no rosto (osso zigomático) em um choque de cabeça com Manuel Locatelli, na partida disputada entre Milan e Juventus.

O jogador vem utilizando o equipamento desde que retomou os treinamentos para garantir a segurança da região.

Luka Modrić, da Croácia

Antonio Bronic/Reuters

“A grande vantagem do uso é que o atleta não precisa mais se afastar por tanto tempo das suas atividades, esse acessório permite com que ele consiga jogar mesmo com essas condições”, afirma.


Com a máscara, os atletas não precisam esperar totalmente a cicatrização completa.

Se o osso estiver cicatrizado ou se a cirurgia estiver em estado terminal, impactos que poderiam fazer essa recuperação retroceder são protegidos, o que acelera o retorno dos jogadores ao campo.

“Uma fratura nasal, por exemplo, demora de 2 a 6 semanas para cicatrizar normalmente, que seria o tempo para a cicatrização completa.

Com a máscara, o jogador pode voltar ao campo em cerca de 14 dias e deve usar o utensílio por volta de 4 semanas em média.

O médico que o acompanha é quem vai definir quando ele pode voltar a jogar sem ela, por meio de radiografias e monitorando a dor do atleta na região”, diz Crivoi.


“No caso do Modric, ele sofreu uma colisão em jogo e acabou com uma fratura complexa no zigomático, perto da lateral da órbita ocular.

A máscara permitiu que ele voltasse muito antes desse tempo de recuperação, podendo jogar a Copa.”

Luca Zidane usa uma máscara diferente.

Ele sofreu uma fratura na mandíbula e no queixo, jogando pelo Granada, da segunda divisão da Espanha, no último minuto da derrota por 4 a 2 para o Almería.

Por conta da lesão, o departamento médico do clube optou por fazer uma cirurgia.

O goleiro chegou a ter sua presença na Copa do Mundo posta em cheque, mas conseguiu voltar a tempo recorrendo ao uso da mascara no pós-cirurgia.


Em poucas semanas, o atleta já pode entrar em campo novamente e defender a sua seleção.

“Tanto nesses casos mais complexos quanto nos mais simples, a máscara ajuda a reduzir o dano e a possibilidade de complicações do impacto.

Ela não elimina o impacto, mas distribui a força em toda a área da máscara, dissipando a energia que ficaria toda concentrada na região fragilizada”, ressalta Crivoi.


Luca Zidane, da Argélia

Piroschka Van De Wouw/Reuters

*Estagiário sob supervisão de Diogo Max