De Rivera a Tomie Ohtake: mostra gratuita em SP reúne inéditos latino-americanos e caribenhos
A Galeria de Arte do Centro Cultural Fiesp (CCF) recebe a exposição Pluralidades insulares: arte latino-americana e caribenha no acervo do BID a partir desta quarta-feira (18). É a primeira vez que a coleção do Grupo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) é reunida fora da sede em Washington, nos Estados Unidos. A coleção passou pela curadoria de Julieta Maroni e Giancarlo Hannud. São 157 obras dos 26 países, incluindo nomes como Tomie Ohtake (Brasil), Olga de Amaral (Colômbia), Benito Quinquela Martín (Argentina), Diego Rivera (México) e Fernando de Szyszlo (Peru).
Também está presente uma geração mais jovem de artistas, entre Kika Carvalho (Brasil), Ad Minoliti (Argentina), Rember Yahuarcani (Peru), Claudia Casarino (Paraguai) e Sheena Rose (Barbados).
Com quase 2 mil obras, sobretudo da América Latina e Caribe, a coleção de arte do BID se formou ao longo das quase sete décadas, por meio de aquisições e iniciativas institucionais.
Na exposição que se inicia por São Paulo, a presença brasileira, que inclui destaques como Victor Brecheret, é pontual. O objetivo é apresentar ao público obras de países e artistas ainda menos conhecidos por aqui.
Sete seções temáticas organizam olhar: Territórios, Gentes, Geometrias, Abstrações, Religiosidade, Mulheres e História da coleção.
Curadoria
Autorretrato de Diego Rivera
Divulgação
“Em suas primeiras décadas, a coleção concentrou-se principalmente em mestres modernos que tiveram papel decisivo na formação das tradições artísticas nacionais dos países membros. Com o tempo, esse olhar se ampliou para incluir artistas emergentes e fortalecer a representação de diferentes países e comunidades da América Latina e do Caribe”, explica Julieta Maroni, curadora responsável pela coleção no BID. “Hoje a coleção procura refletir tanto os legados artísticos quanto o dinamismo da produção contemporânea”, completa.
Para Giancarlo Hannud, curador convidado a conceber o recorte apresentado em São Paulo em diálogo com Julieta Maroni, um dos pontos de partida não poderia ser outro senão observar de que forma diferentes artistas latino-americanos aparecem representados na coleção.
O cuidado de não fixar definições orienta toda a construção do percurso. Em vez de organizar as obras por país ou período - solução que poderia sugerir uma coerência territorial artificial - a curadoria propõe uma leitura fragmentada, assumindo as descontinuidades como parte constitutiva da região. “São pequenas ilhas na América dita latina, que muitas vezes não se conversam, mas coexistem”, diz Hannud.
A imagem do arquipélago também sugere outra dimensão: dentro de cada país há múltiplas ilhas. Não existe uma única produção argentina, colombiana ou haitiana, assim como não existe uma única forma de ser latino-americano. Assim, ao olhar para o conjunto do acervo, o que emerge não é uma narrativa coesa, mas uma constelação de histórias, territórios imaginados, gestos artísticos e sensibilidades diversas.
Recorrências do acervo
De Rivera a Tomie Ohtake: mostra gratuita em SP reúne inéditos latino-americanos e caribenhos.
Divulgação
Entre as recorrências visíveis do acervo estão retratos e imagens que ajudaram a construir a memória visual de processos históricos no continente, as linguagens geométricas e abstratas que atravessaram o continente no pós-guerra, a presença expressiva de mulheres artistas e um conjunto de obras que dialoga com religiosidades e cosmologias diversas.
Outro núcleo reúne obras que evocam narrativas religiosas, símbolos populares e universos fabulatórios. Sem recorrer ao exotismo, a curadoria destaca como a imaginação de realidades alternativas assume formas distintas. Bandeiras vodu, esculturas sacras, imagens simbólicas e personagens históricos reinventados apontam para experiências que dialogam entre si, ainda que marcadas por realidades e contextos diversos.
A presença das mulheres artistas constitui um dos eixos da exposição. O recorte dialoga com debates contemporâneos sobre revisão historiográfica e com mudanças recentes na própria coleção. Segundo Julieta Maroni, esse movimento acompanha processos mais amplos na história das coleções de arte formadas ao longo do século XX. “Assim como ocorreu em muitas coleções estabelecidas naquele período, as primeiras aquisições refletiam padrões mais amplos do campo artístico”, explica. “Com o tempo, buscamos ampliar esse panorama, incorporando artistas cujas práticas contribuem de forma decisiva para compreender a história artística da América Latina e do Caribe”.
SERVIÇO
Exposição Pluralidades Insulares: arte latino-americana e caribenha no acervo do BID
Período: 18 de março a 5 de julho
Funcionamento: terça a domingo, 10h às 20h
Local: Galeria de Arte do Centro Cultural Fiesp – Avenida Paulista, 1313 (em frente à estação de metrô Trianon-Masp)
Entrada gratuita, não é necessário fazer reserva para conhecer a exposição ● Agendamentos de grupos e escolas: ccfagendamentos@sesisp.org.br
