De Rihanna a Nadal: como celebridades ajudam a consolidar o mercado de relógios de luxo
A presença de celebridades usando relógios de luxo sempre foi um elemento forte na construção de imagem pública. Mas, de alguns anos para cá, essa relação ganhou novos contornos — acompanhando a própria evolução do setor.
Hoje, o mercado de alta relojoaria vive um momento de maior transparência, crescimento do segmento de revenda e consolidação de grandes grupos internacionais. Nesse cenário, os famosos deixaram de ser apenas vitrines de estilo e passaram a ter um papel mais profundo, conectado à dinâmica do mercado.
Um exemplo disso é Rihanna. Frequentemente vista com modelos clássicos como o Cartier Panthère em ouro, que pode ultrapassar R$ 1 milhão, a cantora simboliza uma mudança de comportamento: a valorização de peças atemporais, com apelo duradouro e maior liquidez.
Já o tenista Rafael Nadal representa outra frente dessa transformação. Ao usar modelos como o Richard Mille RM 27-05, de R$ 1,1 milhão, em partidas de alto nível, ele associa o relógio não apenas ao luxo, mas à inovação tecnológica e à performance extrema.
Nos Estados Unidos, onde o setor já apresenta maior maturidade, essas escolhas são interpretadas além da estética. Elas ajudam a conectar comportamento, demanda e percepção de valor.
Para o especialista Renan Bastos, esse movimento não pode ser analisado de forma isolada.
“O mercado deixou de interpretar essas associações apenas como marketing. Hoje, elas fazem parte de um sistema mais amplo, que conecta produto, narrativa e comportamento de demanda”, explica.
Essa visão ganha força com dados recentes. O crescimento acelerado do mercado de relógios “pre-owned” e a concentração de valor nas peças mais caras indicam um setor mais estruturado e menos dependente de modismos.
Segundo Bastos, a exposição constante de determinados modelos em contextos de alta visibilidade tem impacto — ainda que indireto.
“Quando uma peça aparece de forma consistente, ela passa a integrar o repertório do mercado. Isso influencia a percepção, mas dentro de uma lógica já estabelecida”, afirma.
Outro ponto importante é a diversidade de nomes em evidência. Diferente de outros momentos, quando poucos rostos dominavam as tendências, hoje há uma pluralidade maior de influências — o que contribui para um mercado mais estável e resiliente.
No fim das contas, o papel das celebridades mudou. Elas já não são mais o ponto de partida das tendências, mas sim parte de um ecossistema mais amplo, onde o valor é definido menos pela exposição e mais pela estrutura do mercado.
A cantora Rihanna com seu relógio Cartier Panthère em ouro
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Renan Bastos é especialista em relógios de luxo
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