De petista a aliado de Bolsonaro: quem são os candidatos à próxima vaga no Tribunal de Contas da União

 

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O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), sinalizou a aliados que vai adiar o processo de escolha para a próxima vaga no Tribunal de Contas da União (TCU). A análise era esperada por deputados envolvidos nas negociações para esta semana. Veja quem são os candidatos:

Odair Cunha: O deputado do PT de Minas é o nome da sigla de Lula para o TCU. Motta se comprometeu a ajudar a elegê-lo em troca do apoio do PT no pleito para presidência da Casa.

Elmar Nascimento: O deputado do União da Bahia é uma das opções do seu partido para a disputa. Atualmente, Elmar ocupa a segunda vice-presidência da Câmara.

Danilo Forte: O deputado cearense é outro nome do União Brasil cotado para concorrer à vaga aberta no TCU. A sigla ainda enfrenta divisão interna para definir um nome.

Hugo Legal: O deputado do Rio de Janeiro é o representante do PSD no pleito. Assim como o União, o partido de Kassab não apoiou Motta e, portanto, não participou do acordo com o PT.

Hélio Lopes: O aliado de Jair Bolsonaro já foi oficializado pelo PL. O partido também apoiou Motta para a presidência da Câmara, mas a candidatura já era esperada.

O entorno de Motta diz que hoje não há garantias de que o nome do PT, Odair Cunha (MG), será eleito para a vaga de Aroldo Cedraz, aberta nesta semana com a aposentadoria do ministro.

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Em 2024, Motta e o seu antecessor, Arthur Lira (PP-AL), acertaram com o PT que ajudariam a eleger um representante da sigla para uma vaga na Corte em troca do apoio da bancada para a candidatura de Motta. Dois aliados do deputado dizem que, se o nome de Odair for rejeitado em plenário, o presidente da Câmara sairá como derrotado no processo e isso pode desgastar o parlamentar internamente. O primeiro ano de gestão de Motta à frente da Câmara foi marcado por momentos de instabilidade e questionamentos sobre a autoridade dele diante dos colegas.

Para ser aprovado, o candidato precisa ter maioria simples em votação secreta — o que dá margem para dissidências. O PT já teve outros candidatos para o TCU, mas não conseguiu emplacar um representante na Corte.

De acordo com relatos, o tema não deve ser discutido nesta semana. A ideia é que Motta converse novamente com os líderes para que os deputados busquem a temperatura junto às respectivas bancadas sobre o melhor momento para tratar do assunto. Dois cardeais do Centrão não descartam que esse processo seja iniciado somente após as eleições, mas não há definição de prazo.

Procurado, Motta não respondeu. Há duas semanas, o deputado disse que não há definição sobre o processo.

— Estamos começando a fazer a estratégia de líderes para ver o movimento certo de fazer a eleição. É difícil (uma candidatura única) — disse.

Sobre as dificuldades de Odair, Motta desconversou:

— Está cedo para fazer qualquer projeção, vamos ter calma, esperar os partidos se posicionarem.

Um político próximo ao presidente da Câmara diz que ele está empenhado em aprovar o nome do petista, mas que há receios de ruídos com os demais partidos que o apoiaram na eleição para a presidência da Casa. O acordo foi fechado com as siglas que apoiaram Motta desde o começo da disputa: PP, Republicanos, MDB, PL, Podemos, PSDB-Cidadania, PDT e PSB, entre outros.

Proliferação de nomes

O PL, por exemplo, apoiou Motta na disputa e emplacou o deputado Altineu Côrtes (PL-RJ) na primeira vice-presidência, mas oficializou apoio à candidatura do deputado Hélio Lopes (PL-RJ), aliado de Jair Bolsonaro. A possibilidade de o partido lançar um candidato, porém, já estava precificada entre aliados de Motta.

PSD e União Brasil não participaram do acerto com Motta porque tinham candidaturas próprias à sucessão de Lira. O PSD colocou o nome de Hugo Leal (RJ) na disputa, enquanto o União ainda tem um conflito interno sobre quem será o candidato da bancada: os deputados Elmar Nascimento (BA) e Danilo Forte (CE).

O União tinha decidido que escolheria o seu candidato à vaga até terça-feira passada, mas não houve um acordo. Forte chegou a divulgar um aviso à imprensa convocando uma coletiva para discutir a vaga, mas depois a cancelou.

Uma parte dos deputados da sigla vê o adiamento da reunião para tratar do assunto como uma forma de sinalização a Motta para tentar um acordo com ele antes de referendar uma candidatura. Uma liderança do partido diz que não há prazo para a definição desse nome nem a certeza de que a legenda levará adiante a ideia de candidatura própria.

Segunda vaga

Aliados de Motta veem como uma forma de solucionar o problema usar uma segunda vaga no TCU para atender outros partidos. Depois de Cedraz, o próximo a se aposentar é o ministro Augusto Nardes, que sai do TCU no ano que vem. Há uma tentativa de convencer Nardes a disputar as eleições deste ano e antecipar a saída, mas ainda não há martelo batido sobre isso.

O entorno de Motta diz que o acordo foi trabalhar para que o PT seja contemplado em uma das vagas no TCU, não necessariamente na primeira. A sigla, porém, quer emplacar logo seu nome porque a próxima vaga será definida em outra configuração da Câmara. Uma liderança do Centrão lembra que Motta busca apoio do PT para eleger seu pai, o prefeito Nabor Wanderley (Republicanos), ao Senado pela Paraíba e precisa evitar ruído com o partido de Lula.

O presidente do Republicanos, Marcos Pereira (SP), minimizou impacto de uma eventual derrota do petista para a imagem de Motta:

— Essa crítica é completamente descabida, de que a proliferação de candidaturas demonstra fraqueza do presidente Hugo Motta. Vamos trabalhar para cumprir o acordo. Agora, não tem controle de votos, né? O voto é secreto.