De Paul McCartney a Bruce Springsteen, livro investiga como astros da música se mantêm em atividade durante décadas

 

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Olhando de longe, ninguém diz, mas Bruce Springsteen já é um senhor de idade. São 76 anos, e nem mesmo ele parece perceber, porque mantém sua maratona de espetáculos extenuantes mundo afora, como se não houvesse amanhã. E faz isso não por necessidade de grana para pagar os boletos: é uma questão de driblar o tempo para manter sua arte viva. Ou, como diz David Remnick, “Sustentar a nota”, título de sua coletânea de perfis de músicos que chega agora por aqui.

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No livro, Remnick reuniu artigos que publicou ao longo de décadas na "New Yorker", revista que começou a circular em 1925 e é considerada referência no jornalismo cultural em muitos cantos do planeta. Remnick é seu diretor de redação há 28 anos, e eis aí uma oportunidade para conferirmos o que escreve.

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Nos 11 textos, o jornalista acompanha estrelas como Leonard Cohen, Paul McCartney, Bob Dylan, Aretha Franklin, Patti Smith e outros, além de Springsteen e, numa vertente musical bem distinta do restante, o tenor Luciano Pavarotti. Alguns já morreram, mas os textos foram publicados na "New Yorker" quando eles ainda estavam na ativa.

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Em comum a todos os personagens, o fato de viverem na estrada por muitas décadas, sem pensar em aposentadoria. Remnick foi atrás desses veteranos justamente para identificar como conseguiam essa proeza. E eles são muitos, como resumiu Stevie Van Zandt, guitarrista da E Street Band, a banda de Springsteen: “A geração do rock mudou o conceito de tempo cronológico. Conheço, pessoalmente, sete artistas que estão na casa dos 80 ainda trabalhando. Quando éramos crianças, nossos avós não passavam dos 60.”

Bruce Springsteen interpreta canção contra o ICE durante show beneficente de protesto em Minneapolis, nos EUA

Reprodução / X

Na coletânea (onde bem caberia um perfil do nosso incansável Ney Matogrosso, de 84 anos), Remnick mostra que, mesmo que o vigor desses artistas não seja mais o de outrora, existe uma força estranha no ar que eles respiram, e é por isso que cantam e não podem parar (aqui parafraseando Caetano Veloso, de 83 anos). E daí a conclusão do jornalista: “Para um músico em fim de carreira, é o espírito do sostenuto, da sustentação, que prevalece: compor, tocar e se apresentar mantêm os artistas vivos no jogo, ajudando a recarregar o que a idade atenuou.”

Então é isso: algo da ordem etérea faz a nota de alguns poucos eleitos vibrar até o fim do espetáculo, que acontece sem aviso prévio. E a plateia aplaude enquanto pode.

Mais do que metáforas sobre a vida alheia, o que interessa no livro são suas histórias saborosas sobre ídolos demasiadamente humanos.