Para Lary, Itacoatiara não é apenas um cenário bonito.
É casa.
Foi na praia da Região Oceânica que a cantora e compositora niteroiense passou boa parte da infância e da adolescência, construiu memórias com a família e encontrou inspiração para muitas de suas músicas.
Agora, ela transforma essa relação em parte de uma nova fase da carreira: o projeto audiovisual “Com calor”, gravado na cidade, será lançado completo em 11 de setembro.
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— Gravar ali foi, literalmente, gravar em casa.
Foi estar rodeada das pessoas que eu amo, no meu lugar seguro, cercada de pessoas que torcem por mim e que fazem parte da minha história — conta.
O vínculo com Niterói vai além da paisagem.
Foi na cidade que Laryssa — nome de batismo da artista — diz ter se descoberto como mulher e como artista, construído amizades e vivido momentos marcantes com a família.
É também de Itacoatiara que guarda algumas das lembranças mais fortes.
— Quando penso em Niterói, não consigo separar a cidade da minha própria formação.
Ela representa muito para mim tanto pessoalmente quanto artisticamente.
É uma cidade que faz parte da minha identidade e da pessoa que eu me tornei — afirma a artista, que gravou em 2024 o projeto “Com amor” no MAC.
A nova produção reúne inéditas e regravações, com repertório que passa pelo pagode, gênero ao qual Lary chegou primeiro como compositora.
A aproximação aconteceu nos bastidores.
Antes de cantar pagode, ela começou a escrever para artistas do segmento e foi conquistando espaço entre compositores do gênero.
— A composição me abriu essas portas, e eu fui, de fato, muito bem recebida nesse universo — diz.
Esse trânsito pelos bastidores se tornou uma das marcas da carreira.
Lary tem músicas gravadas por nomes como Anitta, Ludmilla, IZA, Thiaguinho, Ivete Sangalo e Luísa Sonza.
Em “Equilibrium”, novo álbum de Anitta —, que também é Larissa de batismo, com a diferença do “i” —, são seis composições: “Deus mãe”, “Deus existe”, “OKE”, “Não me cutuca”, “Tudo isso” e “Ternura”.
Engenheira de produção
Na última sexta (21), enquanto estava em Salvador a trabalho, Lary tentava conciliar a agenda para voltar e assistir ao megashow de Anitta em Niterói, realizado no sábado (22), no Caminho Niemeyer.
Para ela, seria uma oportunidade especial de ouvir o público cantar músicas que nasceram também de seu trabalho.
— Quando a gente está dentro de um estúdio escrevendo uma música, não consegue imaginar exatamente como o público vai receber aquilo.
Você escreve, acredita na música, mas não sabe o tamanho que ela pode tomar depois que sai para o mundo — explica.
Entre o estúdio e os palcos, Lary também mantém uma característica pouco comum na indústria: a formação em Engenharia de Produção.
O diploma, porém, não ficou esquecido.
Hoje, ela administra a própria carreira e diz usar no dia a dia conhecimentos de processos, planejamento e gestão.
— Eu consegui levar uma formação que aparentemente não teria nada a ver com música para dentro da minha carreira artística, e hoje vejo o quanto as duas coisas podem caminhar juntas — afirma.
No novo projeto, a cantora apresenta ainda “Eu odeio essa música”, single inédito que chega antes do álbum completo.
A canção fala sobre a dificuldade de esquecer alguém e sobre como objetos, lugares e músicas podem reabrir uma história de amor.
É mais um capítulo de uma trajetória que, apesar de ganhar dimensões nacionais, continua profundamente ligada à cidade onde tudo começou.
Para Lary, não há contradição entre alcançar novos lugares e manter os pés em casa.
— Acho que existe uma beleza muito grande em crescer, conhecer o mundo, chegar a lugares que você nunca imaginou, mas continuar sabendo de onde veio.
E, para mim, Niterói é justamente esse lugar.
É casa, é memória, é inspiração e também é uma parte muito importante da Lary que existe hoje — resume.
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