De malas prontas para a folia: Papatinho estreia no carnaval carioca com novo EP de funk ‘raíz’ e bloco no MAM

 

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Em seu vigésimo ano de carreira, o produtor musical e DJ Thiago da Cal Alves, mais conhecido como Papatinho, já riscou quase todos os itens da lista de desejos que um artista de qualquer canto do mundo poderia ter. Das medalhas de vencedor do Grammy penduradas no estúdio aos hits com bilhões de plays nas plataformas digitais, passando ainda pelas colaborações com nomes de peso da música mundial como Snoop Dogg, Kanye West e o grupo Black Eyed Peas.

O reconhecimento no exterior é tanto que o tijucano radicado no Recreio dos Bandeirantes, Zona Sudoeste do Rio, ostenta até mesmo um novo visto americano de “Talentos Especiais” — status alfandegário que garante não só maior tempo de estada nas visitas aos EUA, mas também a possibilidade de fazer shows e eventos no país —, como revelado ao GLOBO em entrevista no estúdio do artista, a Papatunes. Mas, apesar das milhas e de toda a rodagem, faltava no seu passaporte um carimbo dado no “quintal de casa”: o de participante e anfitrião da maior festa popular do mundo.

É com o objetivo de marcar o nome no carnaval carioca que o produtor lança seus mais novos projetos: o EP “Baile do Papato Vol.2”, disponibilizado nas plataformas de streaming ontem, e o “Bloco do Papatinho”, marcado para esta sexta no Museu de Arte Moderna do Rio (MAM).

Capa do EP "Baile do Papato Vol.2", do DJ e produtor musical Papatinho

Divulgação

A coletânea, que dá sequência ao EP “Baile do Papato”, de 2023, reúne nomes da música urbana — termo adotado pelo DJ para rotular o próprio trabalho — como Anitta, Kevin O Chris e o cantor americano Jason Derulo em cinco faixas curtas e inspiradas no que existe de mais contemporâneo no funk.

Papatinho afirma que vê a sonoridade do EP como uma reconexão de sua própria trajetória com o universo da música marginalizada no Brasil, além de ser uma forma de dar autenticidade à sua caminhada dentro e fora do país natal.

— Eu não posso esquecer de lançar músicas que são o meu dever enquanto artista brasileiro e que alimentam a minha base — diz Papatinho, que acaba de voltar para casa após passar um mês viajando a trabalho entre Las Vegas, Los Angeles e Miami. — Eu inclusive tenho em mente projetos mais conceituais ou puxados para um som mais pop, mas não posso deixar de lado a música urbana raiz, até porque esse é o melhor cartão de visitas que eu posso ter lá fora, onde querem ouvir o que o Brasil faz de melhor.

O DJ, que deu o pontapé inicial na carreira fazendo batidas para o grupo de rap carioca Cone Crew Diretoria, conta que o EP foi imaginado para servir de trilha sonora para eventos como o próprio carnaval, além de exaltar a intensidade da festa e da cultura de rua brasileira. A ideia do artista é inclusive encurtar o intervalo para lançar uma terceira edição, tornando o “Baile” uma tradição anual da época da folia.

— Se eu abrir meu HD, tenho mais de 300 faixas prontas — brinca o produtor, que conta ter dado vida a 64 músicas somente em 2025. — Com o que eu tenho, dava para lançar um álbum diferente por mês, mas é melhor segurar pelo menos até o próximo verão.

Papatinho com a mesa de beats MPC, seu instrumento de trabalho

Guito Moreto / Agência O Globo

Já o bloco, que conta com nomes presentes no EP como o rapper L7nnon e o MC Rodrigo do CN, segue a fórmula de outros eventos privados que rodam o país no período anterior à folia como os “Ensaios da Anitta” ou os aquecimentos para o “Fervo da Lud”, da cantora Ludmilla.

A edição inaugural é encarada pelo DJ, que faz sua estreia no carnaval, como um teste, e Papatinho afirma que, no caso de o evento dar o retorno esperado, a ideia é expandir o projeto para outros formatos e locais.

— O que eu quero do bloco é me divertir junto do público nesse clima de festa que é o carnaval — diz. — Ficando maneiro, no ano que vem talvez a gente repita a dose em outras cidades ou então na rua e deixe esse modelo de festa privada como um projeto separado ou uma espécie de ensaio, vamos ver.