De Laíla a Ciça: homenagem a personalidade do samba leva o carnaval pelo segundo ano seguido
O carnaval de 2025 ficou marcado como o ano das homenagens: das 12 agremiações do Grupo Especial, apenas duas não fizeram um tributo direto a personagem algum, Beija-Flor, com seu "Bembé", sobre o maior candomblé de rua do mundo, na Bahia, e Paraíso do Tuiuti, sobre o Ifá, corrente das religiões de matriz africana em sua versão cubana, depois trazida ao Brasill.
As outras dez escolas homenageram personagens vivos ou mortos, com diferentes leituras: Mestre Ciça (Viradouro), Heitor dos Prazeres (Vila Isabel), Rosa Magalhães (Salgueiro), Ney Matogrosso (Imperatriz), Mestre Sacaca (Mangueira), Carolina Maria de Jesus (Unidos da Tijuca), Chico Science (Grande Rio), Príncipe Custódio (Portela), Rita Lee (Mocidade) e o presidente Lula (Acadêmicos de Niterói).
Não é coincidência: o título da Beija-Flor de 2025, com "Laíla de todos os santos, Laíla de todos os sambas" -- que foi reforçado por ser o ano da aposentadoria de Neguinho da Beija-Flor, outro peso pesado do Planeta Samba -- inspirou as escolas a investirem em tributos a personagens diversos. A Unidos do Viradouro olhou para dentro de si e saiu com "Pra cima, Ciça!", uma homenagem em vida a seu mestre de bateria que acabou sendo um mergulho no universo das escolas de samba e arrebatou plateia e jurados.
Moacyr da Silva Pinto, que completa 70 anos em maio, foi criado no Estácio e na escola de samba, vermelha e branca como a Viradouro. Com a decadência da Estácio -- que coincidiu com a ascensão da agremiação niteroiense --, mudou-se para lá em 1999 e, desde então, comandou a bateria em 18 carnavais, tendo sido campeão em três dos últimos seis, 2020, 2024 e 2026 (a pandemia de Covid-19 cancelou os desfiles em 2021). A trajetória de Ciça foi transformada em um mergulho nos últimos 40 anos de Sapucaí para arrebatar público e jurados na segunda-feira de carnaval.
