De Garotinho a Paulo Melo, caciques do Rio liberados pela Justiça miram retorno nas urnas
Caciques da política do Rio que ficaram fora das eleições de 2022 por inelegibilidade, e que resolveram pendências judiciais, preparam candidaturas neste ano na tentativa de retornar ao Legislativo. Nomes como o ex-governador Anthony Garotinho (Republicanos) e os ex-deputados estaduais Paulo Melo (União) e Edson Albertassi (MDB) devem concorrer aos mesmos cargos que ocupavam antes de serem alvo de investigações, posteriormente arquivadas.
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O retorno às urnas, porém, ocorre em meio a dificuldades em seus antigos redutos, além da tentativa de surfar no prestígio de outros candidatos a cargos majoritários.
Garotinho tenta se lançar a governador, mas dirigentes do Republicanos já sinalizaram que vão priorizar uma candidatura do ex-prefeito de Miguel Pereira, André Português. Com isso, uma alternativa para Garotinho é concorrer a deputado federal, o último cargo eletivo que ocupou, até 2014.
Desde então, o ex-governador foi preso cinco vezes e sofreu condenações por improbidade administrativa na Justiça estadual, e por compra de votos, na Justiça Eleitoral, que o deixaram inelegível em 2018 e 2022. No mês passado, o Supremo Tribunal Federal (STF) anulou a condenação eleitoral, o que deixa Garotinho apto a voltar às urnas. Em 2024, ele já havia conseguido suspender os efeitos da outra sentença, por improbidade.
Caso concorra a deputado, Garotinho poderá enfrentar o próprio filho, Wladimir (PL), por uma vaga na Câmara. Ex-prefeito de Campos dos Goytacazes e hoje aliado do senador Flávio Bolsonaro, Wladimir tem tido rusgas com o pai por discordar dos ataques que ele tem feito tanto ao pré-candidato do PL ao governo, Douglas Ruas, quanto a seu rival na disputa estadual, Eduardo Paes (PSD). Procurado pelo GLOBO, Garotinho não retornou os contatos.
voto “Bolsopaes”
Outro que voltará a disputar uma eleição estadual é o ex-deputado Edson Albertassi, que ainda cumpria prisão domiciliar no pleito de 2022, em decorrência da Operação Cadeia Velha. O caso, que tramitava na Justiça Federal, foi remetidopara a Justiça do Rio, que arquivou o processo em definitivo no mês passado. A decisão também beneficiou o ex-presidente da Alerj Paulo Melo, que deve concorrer, assim como Albertassi, a deputado estadual neste ano.
Em entrevista neste mês a uma rádio de Volta Redonda (RJ), Albertassi frisou que “não deve nada à Justiça”. Para concorrer à Alerj, ele busca se equilibrar entre apoios a Paes e a Flávio Bolsonaro, e lembrou ter feito algo similar em 2014, quando apoiou a candidatura presidencial de Aécio Neves (PSDB); o MDB, à época, estava coligado a Dillma Rousseff (PT).
— O alinhamento do partido no Rio é pela campanha do Bolsonaro, com os senadores também apoiados pelo PL, e com o Eduardo Paes. Quando Pezão era candidato (ao governo, em 2014), fizemos no Rio uma dissidência, que era o “Aezão”. Agora sugeri criar o “Bolsopaes”, que é a campanha do Bolsonaro com Eduardo Paes — disse Albertassi na entrevista.
Paulo Melo, por sua vez, se prepara para fazer campanha fora de Saquarema, cidade da Região dos Lagos que sempre foi seu reduto. Em 2024, quando recuperou a elegibilidade e foi candidato a prefeito, ele teve larga desvantagem na disputa contra o grupo do também ex-prefeito Antonio Peres (PL). A avaliação na cidade é que o cenário deve se repetir neste ano, quando Peres apoiará a candidatura da ex-mulher, Manoela, ao Legislativo.
— Eu sabia que a campanha de 2024 seria difícil, mas teve a importância de mostrar para as pessoas que eu estava elegível, apesar das mentiras que falavam sobre mim – afirma Melo.
A eleição deste ano também contará com herdeiros de personagens tradicionais da política fluminense, como os ex-deputados Marco Antônio Cabral (Solidariedade), filho do ex-governador Sérgio Cabral, e Leonardo Picciani (PV), filho do ex-deputado Jorge Picciani, falecido em 2021. Ambos deixaram o MDB para tentar um resultado melhor do que há quatro anos, quando não se elegeram à Câmara.
