Buscando o voto de eleitores religiosos, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), intensificou nos últimos meses encontros com líderes evangélicos, judaicos e católicos. A relação com os evangélicos vem de longa data, mas o governador vem se aproximando mais dos católicos, com a ajuda do prefeito da capital, Ricardo Nunes (MDB). No domingo, Tarcísio deu o pontapé na campanha eleitoral em uma missa no evento Canção Nova Abraça São Paulo, no Ginásio do Ibirapuera. São Paulo: Motorista de Haddad sustenta relato de intimidação em depoimento à polícia, que alega contradição de horários Rio: MPE pede indeferimento de candidatura do ex-governador Anthony Garotinho Na sexta-feira, Tarcísio foi recebido na Coalizão de Igrejas Evangélicas Apostólicas Global (Cieag), que reúne 122 representantes da igreja Renascer em Cristo e diversos ministérios da Assembleias de Deus, entre outras denominações. O encontro foi promovido pelo apóstolo Estevam Hernandes, da Renascer em Cristo, um dos mais fortes aliados do governador no meio. No encontro, pastores e bispos citaram a responsabilidade dos líderes no período eleitoral e em “formar um exército” para “cuidar da cidade, do estado e da nação”. Mas não houve pedidos de votos, e Tarcísio falou mais do apoio que vem tendo do segmento no mandato do que para pedir engajamento. — Há quatro anos a gente começou a caminhada mais ou menos da mesma forma, sendo acolhido por vocês — discursou o governador. — Não faço nada na minha vida sem Deus. Se a gente está aqui, é para ser instrumento. O discurso mais político ficou por conta de Ricardo Nunes, que falou dos riscos de entregar o poder “nas mãos de mentirosos, de pessoas que defendem a liberação de drogas e que perseguem igrejas”, sem citar nomes. O prefeito defendeu que os pastores “protejam suas ovelhas”. Também pediu a “proteção espiritual de Flávio Bolsonaro e Tarcísio” porque “os ataques do mal são muito fortes”. Estevam Hernandes disse ao GLOBO que quis aproximar os evangélicos “do homem Tarcísio”. — A responsabilidade do pastor sobretudo é espiritual, mas tem uma responsabilidade social porque ele é um influenciador do bem. O papel do líder é não colocar goela abaixo, não impor nada, mas colocar as suas convicções para que o povo possa fazer o melhor. O Tarcísio tem a palavra de Deus, não é algo fabricado para as eleições — defendeu. Tarcísio tem uma relação próxima com os evangélicos sobretudo porque sua mãe era pastora da Assembleia de Deus. A primeira-dama de São Paulo, Cristiane Freitas, atua para conquistar o apoio das mulheres evangélicas. Há duas semanas, Cristiane participou de um podcast com a Bispa Sônia, da Igreja Renascer em Cristo. Os cortes do podcast têm sido explorados nas redes sociais da primeira-dama. Discrição com católicos A relação com líderes católicos era mais tímida até o início deste ano, mas Nunes vem fazendo a ponte com esse segmento — em 2024, o emedebista começou a campanha na Diocese de Santo Amaro, para onde levou o governador em ao menos duas ocasiões desde abril. Tarcísio também foi à comunidade Arautos do Evangelho, em Caieiras, na Região Metropolitana, em abril. O governador marcou presença em missas aos fins de semana, muitas vezes de maneira mais discreta, sem divulgação em redes sociais ou de agendas, acompanhado do prefeito. Nas celebrações, o governador chegou ler trechos bíblicos. No domingo, no Ginásio do Ibirapuera, Tarcísio assistiu a uma missa do padre Adriano Zandon, que acumula quase 3 milhões de seguidores no Instagram. O padre Carlos Alberto, da Paróquia São Pedro Apóstolo, de Taboão da Serra, apoia explicitamente o governador, mas se vê como exceção. Petista na juventude, ele considera que o partido de Lula afastou parte dos católicos ao se ligar a “intelectuais e revolucionários”. — O Tarcísio é o que mais representa os cristãos aqui em São Paulo Mas a maioria dos padres ainda é petista — admite o líder, que participou do encontro do Cieag e subiu ao palco ao lado do governador. Tarcísio também se encontrou, no início do mês, com a comunidade judaica. No dia 3, ele participou de um evento da Federação Israelita do Estado de São Paulo (Fisesp).
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De encontros com evangélicos a início de campanha em missa, Tarcísio busca apoio de setores religiosos
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O Globo
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