De 'dois Steves' a John Ternus: veja linha do tempo da Apple, primeira empresa a se tornar trilionária

 

Fonte:


A Apple entra em uma nova etapa de sua história ao anunciar John Ternus como próximo presidente-executivo da companhia, substituindo Tim Cook a partir de setembro. A mudança encerra um ciclo de quase 15 anos sob o comando de Cook e ocorre justamente no ano em que a empresa completa meio século de existência. De uma startup criada por dois jovens entusiastas da tecnologia a gigante global avaliada em trilhões de dólares, a trajetória da Apple é marcada por reinvenções sucessivas.

Tim Cook, CEO mais longevo da Apple, deixa legado de trilhões de dólares e imagem sólida diante das big techs

Engenheiro dos iPhones: Quem é John Ternus, novo CEO da Apple

A companhia foi fundada em 1º de abril de 1976 por Steve Jobs, Steve Wozniak e Ronald Wayne, em Los Altos, na Califórnia. Jobs e Wozniak, que ficaram conhecidos como os “dois Steves”, começaram montando computadores de forma artesanal. O primeiro produto, o Apple I, era uma placa de circuito vendida para hobbyistas, mas já indicava o potencial de transformar a computação em algo acessível ao público comum.

No ano seguinte, a Apple deu seu primeiro salto comercial com o lançamento do Apple II. Mais sofisticado e pronto para uso doméstico, o modelo se tornou um sucesso de vendas e ajudou a popularizar o computador pessoal nos Estados Unidos. O desempenho impulsionou a abertura de capital da empresa em 1980, uma das mais comentadas da época, criando centenas de milionários entre funcionários e investidores iniciais.


Em 1984, a Apple apresentou o Macintosh, máquina que entrou para a história por popularizar a interface gráfica e o uso do mouse. O lançamento foi cercado por forte campanha publicitária, incluindo um célebre comercial exibido no Super Bowl. Apesar do impacto cultural, divergências internas se intensificaram. No ano seguinte, Steve Jobs deixou a companhia após disputa com executivos e integrantes do conselho.

Sem seu principal nome criativo, a Apple enfrentou anos de perda de relevância diante do avanço de concorrentes no mercado de PCs. A crise se agravou na década de 1990, até que Jobs retornou em 1997, após a compra da NeXT, empresa que havia fundado depois de sair da Apple. Sua volta marcou o início de uma reestruturação severa, com corte de produtos, reorganização administrativa e nova aposta em design e integração entre hardware e software.

Os primeiros sinais da recuperação apareceram em 1998, com o iMac. O computador colorido, de visual ousado para a época, recolocou a marca no centro das atenções. Três anos depois, a empresa lançou o iPod, que redefiniu o consumo de música digital e abriu caminho para a expansão do ecossistema Apple. No mesmo período, a companhia passou a investir em lojas próprias, fortalecendo a relação direta com consumidores.

A transformação definitiva veio em 2007, quando Steve Jobs apresentou o iPhone. O aparelho reuniu telefone, navegador de internet e tocador de música em um único dispositivo e mudou a indústria global de celulares. A Apple deixou de ser vista apenas como fabricante de computadores e se tornou protagonista da era dos smartphones. Em 2010, reforçou esse movimento com o iPad, criando uma nova categoria de produto entre celulares e notebooks.

Em 2011, semanas após deixar o comando por motivos de saúde, Jobs morreu aos 56 anos. Tim Cook, que já vinha conduzindo a operação, assumiu de forma definitiva. Considerado inicialmente um executivo de perfil operacional, Cook ampliou de forma expressiva o tamanho da companhia. Sob sua gestão, a Apple reforçou áreas como serviços digitais, assinaturas, relógios inteligentes e fones sem fio, além de aprofundar compromissos ambientais e de privacidade.

O mercado financeiro respondeu. Em 2018, a Apple se tornou a primeira empresa de capital aberto dos Estados Unidos a atingir valor de mercado de US$ 1 trilhão. Nos anos seguintes, avançou ainda mais e consolidou posição entre as companhias mais valiosas do mundo. Em 2020, iniciou outra transição importante ao substituir processadores da Intel por chips próprios nos computadores Mac, movimento visto como estratégico para aumentar desempenho e independência tecnológica.

Mais recentemente, a empresa passou a buscar novas frentes de crescimento com produtos como o Vision Pro e com investimentos em inteligência artificial. É nesse contexto que John Ternus assume o comando. Veterano da companhia e responsável por liderar o desenvolvimento de hardware nos últimos anos, ele herda uma empresa sólida financeiramente, mas pressionada a provar que ainda pode liderar a próxima grande revolução tecnológica: a da inteligência artificial.