De dois cortes a nenhum: a guinada nas apostas para a Selic após a eleição

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Fonte da notícia: Notícias Veja Notícias Veja

O mercado financeiro está abandonando a aposta em novos cortes da Selic até o fim do ano. Antes da eleição presidencial, os investidores trabalhavam com a perspectiva de mais duas reduções de 0,25 ponto percentual, nas reuniões de novembro e dezembro, que levariam a taxa básica dos atuais 13,75% para 13,25% ao ano.

A reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva, no domingo, 25, provocou uma guinada nas expectativas. Agora, a manutenção dos juros passou a ser o cenário individual mais provável nos dois últimos encontros do Comitê de Política Monetária (Copom) de 2026.

A mudança mais brusca ocorreu nas apostas para a reunião de 3 e 4 de novembro. Na sexta-feira, 23, a probabilidade de manutenção da Selic estava em apenas 17,5%, enquanto um novo corte de 0,25 ponto percentual concentrava 76% das apostas.

Depois do segundo turno, o quadro se inverteu. A chance de o Banco Central manter os juros saltou para 63,1% na segunda-feira, 26, e ficou em 60,9% na terça-feira, 27, segundo os preços dos contratos de opções de Copom negociados na B3.

O movimento também alcançou dezembro, quando ocorrerá a última reunião do Copom no ano. Um levantamento do Radar Econômico sobre os contratos da B3 mostra que a probabilidade de manutenção dos juros, que estava próxima de 21% em 23 de outubro, subiu para cerca de 49% no dia 27.

No mesmo intervalo, a aposta em um corte de 0,25 ponto percentual recuou de aproximadamente 44% para 20%. A probabilidade de uma redução mais intensa, de meio ponto percentual, caiu de quase 30% para perto de 4%.

Continua após a publicidade A reversão contrasta com o ambiente de poucas semanas atrás.

Em setembro, o Banco Central havia realizado seu quinto corte consecutivo da Selic, reduzindo a taxa para 13,75% ao ano. Na ocasião, os contratos negociados na B3 antecipavam a continuidade do ciclo de flexibilização monetária, com novas reduções em novembro e dezembro.

O mercado chegou, portanto, à reta final de outubro apostando na possibilidade de concluir o ano com juros meio ponto percentual abaixo do patamar atual. Continua após a publicidade

A reprecificação ganhou força na segunda-feira seguinte à eleição. A vitória de Lula, que contrariou as expectativas de parte dos investidores, foi acompanhada por uma forte desvalorização do real, queda da Bolsa e disparada dos juros futuros.

O movimento refletiu preocupações com a trajetória das contas públicas e seus possíveis efeitos sobre a inflação. Com o dólar mais caro e o aumento dos prêmios de risco, investidores passaram a considerar que o Banco Central poderá precisar manter os juros elevados por mais tempo para assegurar a convergência da inflação à meta.

Continua após a publicidade A mudança não significa que novos cortes tenham sido completamente descartados.

Os contratos ainda atribuem probabilidades a reduções da Selic, mas a manutenção passou a liderar as apostas para as duas reuniões restantes. A diferença é significativa: em poucas semanas, o mercado passou de uma expectativa de continuidade da queda dos juros para a possibilidade de encerrar 2026 com a Selic estacionada em 13,75% ao ano.

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Publicação Original Notícias Veja veja.abril.com.br
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