De Bragança para o mundo: paraense se destaca no voo livre e abre caminho para mulheres - QTU Questões do Universo

De Bragança para o mundo: paraense se destaca no voo livre e abre caminho para mulheres

Fonte: Bandeira da fonte

A história de Nayane Araújo começou longe dos grandes centros do voo livre.
Nascida em Camocim, no Ceará, e criada desde os cinco anos em Bragança, no nordeste do Pará, ela encontrou nos céus uma maneira de transformar antigas paixões por aventura em uma trajetória internacional.
Hoje, depois de voar em mais de dez países, conquistar um pódio em competição na África do Sul e se dedicar à expansão do parakite entre mulheres, Nayane olha para o esporte com a mesma curiosidade que a levou a descobrir o mundo pelo alto.

O primeiro contato com o parapente aconteceu quase por acaso.
Em 2020, durante a pandemia de Covid-19, Nayane estava na África do Sul e precisou interromper atividades que já faziam parte de sua rotina, como kitesurf, surfe e mergulho.
Com as praias fechadas, surgiu uma alternativa que não dependia da água.
“Eu sempre tive uma enorme vontade de voar.
Foi assim que descobri o voo livre e me apaixonei por esse universo”, conta.

A descoberta rapidamente virou paixão.
O que começou como uma forma de continuar praticando esportes durante a pandemia transformou-se em um estilo de vida.
Desde então, a paraense passou a conhecer diferentes países também pela perspectiva privilegiada de quem está no ar.

África do Sul, Portugal, Espanha, Alemanha, França, Turquia, Inglaterra, Itália, Namíbia e Brasil estão entre os lugares onde já voou.
Cada destino trouxe uma paisagem, uma experiência e uma nova etapa de aprendizado.

Entre tantas memórias, uma permanece especialmente viva: o voo em Annecy, na França.
A cerca de 3 mil metros de altitude, Nayane conseguiu avistar o Mont Blanc.
“Por causa da altura, consegui visualizar.
Foi uma sensação indescritível e uma imagem que ficou para sempre na minha memória”, lembra.

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Primeiro voo, primeiro pódio

A experiência internacional também começou a se transformar em resultados.
Em 2021, apenas um ano depois de descobrir o parapente, Nayane participou de sua primeira competição, na África do Sul.
O resultado foi um terceiro lugar no ranking feminino.
“Eu era, sem dúvida, a mulher mais feliz entre as três primeiras colocadas!”, brinca.

Mais do que uma medalha, o resultado serviu como combustível para continuar.
“Conquistar o terceiro lugar logo na minha primeira competição me deu muita confiança e mostrou que eu poderia ir além”, afirma.

O parapente, entretanto, está longe de ser apenas uma aventura de quem abre uma asa e se entrega ao vento.
A modalidade utiliza uma vela flexível, semelhante a um grande paraquedas, conectada ao piloto por linhas e ao equipamento chamado selete.
Para permanecer no ar e ganhar altitude, o piloto precisa interpretar o vento e encontrar correntes ascendentes.

E é justamente aí que está parte da complexidade do esporte.
A evolução exige conhecimento, experiência e, principalmente, respeito aos próprios limites.
“Para mim, o maior desafio é buscar evolução e desenvolvimento sem abrir mão da segurança.
No voo livre, não basta querer voar mais alto ou fazer mais manobras; é preciso adquirir experiência, conhecimento e consciência dos próprios limites”, explica.

[[(com.atex.plugins.image-gallery.MainElement) Parapente]]

Um novo caminho para as mulheres

A trajetória de Nayane agora ganhou uma nova frente.
Ela criou a página @parakitegirls, que começou como um espaço de divulgação e acabou se transformando em uma comunidade voltada às mulheres que praticam ou querem conhecer o parakite.

A modalidade tem semelhanças com o parapente, mas utiliza uma asa mais compacta e dinâmica, voltada para velocidade, controle e manobras e capaz de operar em condições de vento mais fortes.
A escolha pelo parakite também tem um significado maior.
Nayane quer ajudar a ampliar a presença feminina em um universo ainda predominantemente masculino.

“O mundo do parapente ainda é predominantemente masculino, mas nós, mulheres, estamos conquistando cada vez mais espaço”, destaca.

A intenção vai além de colocar mais mulheres para voar.
Ela também defende maior atenção da indústria às necessidades do público feminino.
Segundo Nayane, ainda não há no mercado uma vela desenvolvida especificamente para as características das mulheres.
“Quero contribuir para esse movimento, inclusive incentivando as marcas a desenvolverem equipamentos específicos para o público feminino”, afirma.

Do mundo de volta ao Pará

Se a vida levou Nayane de Bragança para diferentes partes do planeta, os próximos planos podem fazer o caminho inverso.
Entre os projetos está a criação de pacotes de viagens para mulheres interessadas em praticar parakite em diferentes destinos.

A proposta mistura aquilo que se tornou parte de sua própria história: esporte, viagem, aventura e descoberta.
“Quero criar experiências que unam esporte, viagem, aventura e, principalmente, a presença feminina no voo livre”, explica.

Mas existe também um sonho particular: voltar a voar no Pará.
Nayane pretende conhecer e avaliar locais que possam receber a prática do voo livre no estado, com atenção especial para a Praia de Ajuruteua, em Bragança.
Seria uma maneira simbólica de fechar um ciclo iniciado ainda na infância.
“Seria muito especial poder voar na minha terra e, de alguma forma, levar para o Pará tudo o que aprendi e vivi pelo mundo”, diz.

Nayane adotou o parapente e parakite como estilo de vida livre.
(Arquivo Pessoal)

Incentivo

Apesar da expansão do voo livre, praticar parapente e parakite no Brasil ainda exige investimento elevado.
O principal obstáculo apontado por Nayane é justamente o preço dos equipamentos, influenciado também pelos impostos de importação.
“Eu espero que, no futuro, o governo possa criar programas de incentivo específicos para o voo livre, promovendo mais inclusão e dando oportunidade para que jovens que sonham em voar também tenham acesso ao esporte.”

Enquanto os projetos ainda ganham forma, Nayane continua voando e ampliando sua atuação no esporte.
A trajetória internacional também abriu espaço para uma parceria de destaque: ela passou a representar a Flare, marca pioneira e uma das principais referências mundiais no desenvolvimento de equipamentos para parakite.

De Bragança para a África do Sul, da França ao restante do mundo, cada voo acrescentou uma página à história.
Agora, além de continuar buscando novos horizontes, Nayane quer ajudar outras mulheres a descobrirem o que existe do outro lado daquela vela que, para quem observa do chão, parece apenas flutuar no céu.
Para ela, é muito mais do que isso.
É liberdade, aprendizado, coragem e a possibilidade de enxergar o mundo de uma perspectiva que poucos experimentam.

Para acompanhar a trajetória de Nayane Araújo:
Instagram: @nayanearaujo001

Projeto voltado às mulheres no parakite:
Instagram: @parakitegirls