De água proteica a suco low carb, bebidas funcionais se tornam febre e especialistas apontam limites no consumo

 

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Suco low carb com menos de 30 calorias, refrigerante zero açúcar com fibras e prebióticos, energético sem cafeína e até água em versão proteica. A febre do movimento wellness chegou ao mercado de bebidas que tem reformulado seus produtos para uma geração louca por rótulos e obcecada por longevidade e performance.

De acordo com a consultoria americana McKinsey & Company, os drinques isotônicos funcionais e afins despontam como uma das principais tendências globais neste ano, acompanhando três em cada quatro brasileiros que dizem orientar suas escolhas alimentares pela busca de uma boa nutrição, segundo a agência Mintel.

Mariana Santiloni, especialista em tendências da WGSN, aponta que esses produtos vêm evoluindo desde 2008, marco da macrotendência do bem-estar. “Começou com o suco verde, passou pelos shots antioxidantes e pelo kombucha e, agora, ganha fôlego com as bebidas proteicas, impulsionadas pelo consumo de canetas emagrecedoras, já que as pessoas tendem a comer menos”, explica. Segundo ela, cresce também a busca por bebidas com fibras prebióticas, ingrediente que não tomou o lugar de protagonismo da proteína, mas que ganha por promover saciedade, saúde digestiva e melhor regulação da glicemia.

Bebidas funcionais

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Um dos produtos que têm feito sucesso entre os consumidores no Brasil é o Jungle, suco low carb com 24 calorias. A bebida, com produção de oito milhões de unidades em 2025, propõe-se a ajudar na hidratação, na reposição de eletrólitos (sais minerais que se perdem por suor e urina), no suporte imunológico e na função muscular. “Não há aromas artificiais nem idênticos aos naturais, só os de fato naturais. A base do produto foi construída em cima daquilo que para nós faz sentido: água de coco, frutas reais e zero adição de açúcar”, comenta Rodrigo Carvalho, CEO da Positive Company. Sobre críticas ao negócio: “Questionamentos são válidos, mas é importante separar quem realmente está tentando elevar o padrão do mercado de quem só modernizou o discurso.”

A nutricionista Helena Villela é uma das profissionais que se opõem à febre das bebidas funcionais. “A adição de proteína, por exemplo, não anula o restante dos ingredientes do rótulo de um alimento ultraprocessado, como adoçante, conservante, aromatizante e corante”, afirma. “Alguns produtos podem ser válidos pela praticidade, mas isso depende do contexto. É sempre melhor optarmos por alimentos in natura.”

O nutrólogo Rafael Pinto é favorável ao consumo, desde que tenha o aval de um profissional de saúde. “Acho promissor, é uma via de administração de nutrientes e suplementos muito prática. Mas é necessário ter o cuidado de saber quais ingredientes compõem a fórmula”, conclui.